sábado, 10 de dezembro de 2011

As Invasoes , a Peninsula Iberica e a Idade Medieval

Cristãos e muçulmanos na Península Ibérica:

Em 711 os Muçulmanos, provenientes do Norte de África e comandados por Tárique, invadiram a Península Ibérica. Dominada pelos Visigodos que, após a submissão dos Suevos (585), aí estabelecendo uma poderosa monarquia. Nos inícios do século VIII, a monarquia visigoda atravessava um período de grandes dificuldades em resultado de lutas internas pelo poder, caindo num estado de grande desorganização. O ataque do exército muçulmano deu-se a pedido de um grupo político-militar (facões) visigodos. A resistência oferecida aos invasores muçulmanos foi insignificante, passados três anos quase toda a península passou para o domínio muçulmano. Os muçulmanos foram tolerantes para com os vencidos. Na generalidade, os Visigodos, por acordo com os muçulmanos, continuaram na posse dos bens e a praticar a religião cristã. Do mesmo modo, muitas autoridades administrativas permaneceram nos seus lugares, mediante o pagamento de um imposto.

Nem todos os habitantes da Península Ibérica aceitaram o domínio Muçulmano. Um pequeno grupo refugiou-se nas regiões montanhosas do Norte – Astúrias e Pirenéus, onde organizou um movimento de resistência para recuperar o território. Os primeiros combates deram-se entre 718 e 722, quando as forças de Pelágio, nobre visigodo, derrotaram os muçulmanos na lendária Batalha de Covadonga. A este movimento de recuperação do território, sob o domínio muçulmano, deu-se o nome de Reconquista. A Reconquista foi feita de avanços e recuos. O movimento partiu de vários núcleos de resistência independentes uns dos outros – o da Astúrias, o dos Pirenéus e o da Catalunha. Progressivamente formaram-se vários reinos cristãos – os de Navarra, Leão, Castela e Aragão. A expulsão dos Muçulmanos da península, ao contrário da rapidez da invasão, foi muito lenta. Demorou quase oito séculos, só terminou em 1492 com a conquista do reino de Granada.

A partir do século VIII e até ao século XV, coexistiram na Península Ibérica duas comunidades com civilizações distintas – a Cristã e a Muçulmana (tipo de vida, religião, cultura e arte). A comunidade cristã vivia sobretudo da terra; as cidades eram pequenas e amuralhadas; o artesanato e o comércio eram pouco desenvolvidos. A comunidade muçulmana vivia em cidades muito maiores, a sua economia era mais urbana e mercantil. As religiões dos dois povos, o cristianismo e o islamismo, eram também diferentes. A nossa cultura era inferior á deles.

Após a invasão, muitos cristãos continuaram a viver nos territórios conquistados pelos Muçulmanos. Uns converteram-se ao islamismo – os chamados muladis os trajes e os costumes muçulmanos – os moçárabes. Estes viviam em bairros separados, tinham restrições no culto (proibição de ostentar a cruz e tocar o sino) e eram obrigados a pagar determinados impostos. Nos tempos de intolerância e de perseguição muitos moçárabes refugiavam-se em terras cristãs. Após a Reconquista do território, muitos muçulmanos continuaram a viver em terras cristãs. Eram os chamados Mouros. Conservam a sua religião e viviam em bairros separados (as mourarias), onde tinham as suas atividades e locais de culto. Estavam também, sujeitos a certas restrições de liberdade e ao pagamento de impostos. A maior parte dos mouros vivia nos meios rurais e dedicava-se á agricultura. As duas comunidades conheceram períodos de conflito mas também de tolerância e paz. Entre os dois mundos estabeleceram-se relações culturais e comerciais (ex. músicos e dançarinos muçulmanos participavam em festas cristãs de igual modo disputavam jogos entre si - xadrez por exemplo). Durante oito séculos, os muçulmanos deixaram um importante legado cultural.

-           Formação do reino de Portugal

Na parte Ocidental da Península Ibérica, formou-se em meados do século IX, Entre-Os-Rios Lima e Douro, o condado de Portucale. Este território, que tinha por sede Portucale, (atual cidade do Porto) era administrado por condes locais e gozava de certa autonomia. No século XI as suas fronteiras alongaram-se até ao rio Mondego. Em 1086, um ataque Muçulmano pôs em perigo o Reino de Leão e Castela. Chegaram À Península Ibérica vários cavaleiros franceses, para travar esta investida, entre os quais se destacaram dois nobres da família dos Duques de Borgonha – D. Raimundo e D. Henrique. Em recompensa D. Afonso VI, Rei de Leão e Castela, concedeu a D. Raimund governo da Galiza e a sua filha D. Urraca e a D. Henrique o governo do condado Portucalense e a sua filha D. Teresa (feudo). Atesar de vassalo do Rei de Leão e Castela, o Conde D. Henrique procurou sempre alargar os seus poderes e dominar novos territórios. Quando morreu, (c. 1112), sucedeu-lhe, a chefia do condado, D. Teresa. A sua política de alianças com a família galega dos Travas pôs em risco a autonomia do condado. Esta circunstância levou forças autonomistas entre Douro e Minho (nobres, eclesiásticos, mercadores) a declararem-lhe guerra, derrotando-a na Batalha de S. Mamede, em 1128. Então, o governo do condado Portucalense, foi entregue a D. Afonso Henriques.

D. Afonso Henriques desenvolveu, À frente do Condado Portucalense uma ação notável:

            - A nível político alargou o território Português até sul do Tejo (conquistas de Santarém, Lisboa, Alcácer) e obteve de D. Afonso VII Rei de Leão e Castela o título de Rei.

            -a nível diplomático, alcançou o papa Alexandre III, através da bula Manifestis Probatum (1179), o reconhecimento do título de rei e da independência de Portugal.

Após a morte de D. Afonso Henriques (1185), o alargamento do território português prosseguiu com os reis D. Sancho II (1223-1247) e D. Afonso III (1248-1279). Com este ultimo monarca concluiu-se a conquista do Algarve (1249). A delimitação das fronteiras entre Portugal e Castela só se fixou pelo tratado de Alcanises (1297) no reinado de D. Dinis.

Datas Importantes:

1096 – Afonso VI, rei de Leão e Castela, concede o condado portucalense D. Henrique

1139 – Batalha de Ourique: Afonso Henriques toma a título de Rei de Portugal

1143 – Tratado de Zamora (D. Afonso Henriques Rei de Portugal)

1179 – Bula Manifestis Probatum (Confirmação papal da independência de Portugal)

1249 – Conquista de Silves e Faro (D. Afonso III)



-        Economia nos Séculos XII a XIII

A população europeia era de 42 milhões de habitantes no ano 1000 e, em 1300, atingia já os 73 milhões. Este crescimento populacional deveu-se, inicialmente, ao termo das invasões de muçulmanos, normandos, húngaros e, também, a melhoria das condições climáticas. É particularmente visível por toda a Europa Ocidental; em Portugal, a população passou, no decorrer dos séculos XII e XIII, de 40 mil habitantes para cerca de 1 milhão. Deu-se principalmente na região entre Douro e Minho. Migrações de milhares de camponeses para o Centro e Sul do país. À medida que a Reconquista avançava no território nacional.

As populações em crescimento tiveram necessidade de ocupar novas terras. Cultivaram novas terras e arrotearam outras (florestas e pântanos). A conquista de novos espaços e a fixação dos rurais deram origem ao aparecimento de novas povoações - as chamadas villas-novas. Este movimento de conquista de novos espaços ocorreu em toda a Europa. Em Portugal, o alargamento dos espaços cultivados deveu-se a ação da Coroa (em especial com D. Sancho e D. Dinis), das ordens religiosas (como a Cister) e das ordens militares (como a de Santiago). O desenvolvimento da agricultura beneficiou de importantes progressos técnicos a partir do século XI, expandiram-se na Europa novos instrumentos e formas de cultivo:

- Utilização mais frequente do ferro, o que permitiu fazer melhores alfaias agrícolas, como por exemplo a charrua e a grade.

- Aplicação do sistema de rotação trienal das culturas nas regiões agrícolas mais ricas da Europa e melhoria da adubação dos campos (estrumes, pastagens livres)

- O uso do jugo frontal nos bois e da coelheira nos cavalos, o que fez aumentar a força de tração animal

Em resultado destes progressos técnicos, aumentou a área cultivada e os rendimentos da terra. Por isso, a produção agrícola quase dobrou e a fome diminuiu.

A partir do século XI, a população aumentou e a produção agrícola cresceu. Por isso, a comércio conheceu, também, um grande desenvolvimento por toda a Europa. A intensificação das trocas comerciais foi facilitada por importantes inovações:

- Nas vias de comunicação e nos transportes terrestres – abertura de novas vias, construção de pontes, utilização da ferradura nos animais de transporte e da atrelagem em fila nos cavalos

- Nos transportes marítimos novos equipamentos nos barcos (vela latina e leme na popa) a par da utilização da bussola, do astrolábio e portulanos, construção de molhes e de cais nos portos de mar e de rio.

Em consequência da animação do comércio, surgiram, nas povoações mais importantes e locais de fácil acesso, mercados e feiras. Estas foram criadas por monarcas e senhores através de cartas de feira, nas quais se estabeleciam as regalias e a s obrigações dos feirantes. Nos séculos XII e XII eram famosas as feiras da região de Champagne, em França, onde se reuniam mercadores de toda a Europa. Também em Portugal, os reis – com destaque para D. Dinis - fundaram dezenas de feiras. As eiras medievais deram origem a novas povoações e impulsionaram a economia das regiões. Passaram a circular muitas moedas de ouro e prata, umas cunhadas por reis e outras pelas grandes cidades. Surgiram, os cambistas, que avaliavam a equivalência entre as várias moedas, e os banqueiros, que recebiam depósitos faziam empréstimos. Nos fins do século XIII surgiu uma nova forma de pagamento, a letra de câmbio.

A partir do século XI também os núcleos urbanos se desenvolveram na Europa. Em consequência do incremento da economia, os artesãos e os mercadores fixaram-se nas cidades, que cresceram e expandiram-se para fora das muralhas que as cercavam. Formou-se, assim, um burgo novo, cujos habitantes passaram a ser conhecidos por burgueses. Este grupo social veio a desempenhar, com o decorrer dos tempos, um papel económico e social importante. Em Portugal, as cidades também crescera. Contudo, com exceção de Lisboa, os núcleos urbanos eram de pequena dimensão.

Na Europa dos séculos XII a XIV, a Itália não tinha unidade politica. No norte e centro, o território era dominado por cidades, com governo no próprio (repúblicas). Entre elas destacavam-se Veneza, Génova e Pisa, enriquecidas pelas trocas comerciais que faziam entre o Mediterrâneo oriental e o norte da Europa (liga hanseática/hansa). Os produtos orientais (especiarias, sedas, joias, plantas tintureiras), juntamente com produtos italianos (tecidos, armas e produtos de couro), eram distribuídos pela Europa através de vias marítimas e terrestres. A via terrestre mais utilizada seguia desde as cidades do Norte da Itália até à Flandres, passando pela região da Champagne (França). A via marítima mais importante ligava o mar mediterrâneo ao mar do norte, através de uma vasta rede de protos entre os quais se destacavam Cádis, Lisboa, La Rochelle, Bruges. A partir das cidades costeiras, os produtos seguiam pelos grandes para o interior da Europa. Em resultado da atividade económica, formou-se nas cidades italianas uma burguesia poderosa, de grandes mercadores e banqueiros.

A Flandres constituía outro polo importante na economia europeia nas suas cidades, como Bruges, Gand, Arras e Ypres, desenvolveram-se importantes indústrias de lã; por outro lado, por outro lado, eram centros ativos de comércio de produtos vindos do oriente (especiarias e sedas), do sul da Europa (sal, vinhos, lãs) e do báltico (peixe, cereais, peles, madeira). Em consequência do grande dinamismo económico da região, constitui-se, também, uma próspera burguesia. Também, as cidades do Norte da Alemanha e do Báltico - agrupadas numa grande associação mercantil, a liga hanseática ou a hansa - constituíam uma área importante da economia europeia. Os seus comerciantes levavam para a Flandres, Inglaterra, Europa Central e Oriental variados produtos, como trigos de Prúsia, peles da Escandinávia e da Rússia, madeiras, peixe seco e salgado do Báltico; na viagem de regresso, transportavam lãs inglesas, sal e vinhos franceses, especiarias e tecidos da Flandres. As restantes regiões do ocidente- Inglaterra, Alemanha do Sul, frança atlântica e P.I. – desempenhavam um papel secundário na economia europeia.

Até ao seculo XIII, Portugal esteve ocupado fundamentalmente com a Reconquista de território. Apesar disso, os negociantes portugueses os negociantes portugueses não deixaram de comerciar com o norte da Europa e com o mediterrâneo. Por outro lado, negociantes estrangeiros (em particular italianos) frequentavam os nossos portos, o que estimulou o comercio nacional. Terminada a Reconquista, esse comercio intensificou-se: mercadores portugueses estabeleceram-se em frança, flandres e Inglaterra e, por outro lado, monarcas estrangeiros concederam regalias aos mercadores portugueses. Estes levavam para o estrangeiro sal, vinho e azeite, no regresso, traziam cereais, metais, armas e tecidos.

Os monarcas portugueses reconheceram a importância do comercio externo e protegiam-no. Em 1293, mercadores, portugueses criaram, para apoio do comercio com o estrangeiro, a “Bolsa de Mercadores”. Esta estabelecia que todos os barcos portugueses que carregassem mercadorias nos portos do reino deviam pagar, por frete, uma determinada quantia. Constituiu-se, assim, um fundo de cem marcos na flandres e outro em Portugal, destinado socorrer mercadores em caso de necessidade. O rei D. Dinis confirmou este contrato. Na 2ª metade do século XVI, D. Fernando apoiou, também, o comercio internacional português com as seguintes medidas:

            -concessão gratuita de madeiras, das matas reais a quem construi-se barcos de mais de cem tonéis;

            -isenção de impostos na compra de navios no estrangeiro ou de materiais destinados á construção e sobre os produtos exportados na primeira vagem de negócios          

            -criação da companhia das naus, onde se registavam todos os barcos com mais de 50 tonéis; dos lucros obtidos no transporte de mercadorias retiravam-se 2%, destinados a compensar os barcos perdidos por naufrágio ou por outro motivo (piratas, por exemplo)

Mas, também, os monarcas portugueses concederam regalias a mercadores estrangeiros (italianos, catalães, ingleses) estabelecidos no reino, o que veio intensificar o comércio. Em resultado da renovação da economia europeia e das medidas tomadas, os portos portugueses animaram-se. Entre todos distinguiu-se Lisboa, ponto de confluência entre muitos mercadores vindos dos mais diversos portos da Europa.                                    

Datas importantes: 1293 – D. Dinis confirma Bolsa de Mercadores; 1377 – D. Fernando cria a Companhia das Naus



-           A organização politica e social de Portugal na 1ª Dinastia

O clero e a nobreza portugueses, tal como acontecia na Europa eram constituídos por estratos diversos e tinham uma situação privilegiada. Com efeito, eram grandes proprietários de terras e nelas gozavam de amplos poderes, como:

            - Exigir o pagamento de rendas e serviços aos camponeses

            - Recrutar tropas entre os homens que viviam nos seus domínios.

            - Aplicar justiça, com exceção da pena de morte e do talhamento de membros que pertenciam ao rei (chamada justiça maior)

As terras do clero, em regra, chamavam-se coutos e as da nobreza honras. Os senhores exploravam diretamente essas propriedades através de servos e assalariados; outra parte delas (o chamado casal) era arrendada aos camponeses que, em troca, pagavam rendas e prestavam serviços. Os membros do clero e da nobreza, para alem da posse de terras, distinguiam-se pela ocupação de cargos, pelo uso se títulos e pela maneira de viver. Mas no nosso país, ao contrário do que acontecia em França, os seus poderes eram limitados pois cabia ao rei a chefia do exército, a aplicação de pena de morte, e a cunhagem de moeda. O feudalismo teve, assim, em Portugal características próprias.

O povo era constituído por vários estratos sociais, com predomínio dos camponeses. No Portugal medieval, para além das terras do senhor, existiam povoações de homens livres, os concelhos. Foram criados pelos reis com o objetivo de povoar e defender o reino. Neles viviam camponeses, mesteirais e mercadores. Os concelhos eram instituídos por um documento chamado carta de foral, que regulava os direitos e os deveres dos seus moradores. Os concelhos tinham órgãos de dever próprios, gozando por isso de grande autonomia admnistrativa. Eram dirigidos por assembleias de homens livres, controladas pelos estratos mais importantes do povo (mercadores e proprietários rurais). Estas assembleias dirigiam a vida económica e social dos concelhos. Com o aumento do poder real, em particular a partir de D. Dinis, a autonomia dos concelhos foi sendo progressivamente limitada.   

Na Europa em resultado das invasões dos séculos VIII-X, os grandes senhores da nobreza e do clero usurparam poderes aos reis. Em Portugal, devido ás circunstancia em que decorreu a reconquista, os reis nunca ficaram com os poderes tao diminuídos como muitos dos monarcas europeus.com efeito, os reis portugueses conservaram o comando do exercito, a cunhagem de moeda e a aplicação da justiça maior. Contudo, com o decorrer dos tempos, alguns dos bens e direitos da coroa foram usurpados pelo clero e pela nobreza. Por isso, com vista a recuperar as terras que outrora lhes tinham pertencido, os monarcas, auxiliados pelos legistas, tomaram, a partir do século XIII, as seguintes medidas:

            - Inquirições: inquéritos destinados a recuperar as terras e os direitos usurpados à coroa pelos grandes senhores.

            - Confirmações: validação dos bens e regalias que, outrora, tinham sido concedidos pela coroa aos grandes senhores, eclesiásticos e nobres

            -leis de desamortização: leis que procuravam impedira concentração de terras, obtidas por compra ou herança, nas mãos do clero                                                

Ao mesmo tempo, a coroa reforçou a sua presença na administração do território, com a criação de novos funcionários e a publicação de leis para todo o país.

Até meados do séc. XIII, o rei foi auxiliado na governação do país pela Cúria Régia. Esta assembleia era constituída por membros da família real, da grande nobreza, do alto clero e pro altos funcionários, aconselhava o rei em assuntos de natureza admnistrativa, judicial e militar. O Povo não tinha lugar na cúria régia. As Cortes surgiram quando nelas participaram, para além do Clero e da Nobreza, representantes dos concelhos. Tal aconteceu, pela primeira vez, nas Cortes de Leiria, em 1254. As Cortes medievais portuguesas eram convocadas pelo monarca para tratar de assuntos económicos e financeiros (tabelamento de preços, desvalorização da moeda) e de assuntos de ordem política (conflitos com o clero, tratados de paz, contratos de casamento), entre outros. Nelas os representantes dos conselhos apresentavam queixas ou pedidos. Contudo, as Cortes não tinham função legislativa, pois esta pertencia ao monarca.



Apontamentos do Caderno

Como se procedeu a conquista Islamica da Península Ibérica?

Reis Visigodos: Vitiza (710) + Ágila II + Rodrigo (Roderick)

Muça Ibn Said – emir do norte de África

Tarik Ibn-Zaid – (chefe berbere)

Batalha de Guadalete (711)

Pelágio

Batalha de Covadonga (722)

Como se relacionavam os cristão e os muçulmanos entre os séc. VIII e XV na P.I. ?

Al-Andaluz (Península Ibérica)

Al-Grab (ocidente de andaluz)

Muladis

Moçárabes

Mudéjares – muçulmanos a viver em território reconquistado pelos cristãos

Mouros

Mourarias

Reconquista

Moçárabes

Cruzado

Condado

Independência politica

1143-tratado de Zamora

1179-bula Manifestis Probatum

Afolhamento

Arroteias

Feira (ano/mês/trimestral/…)

Letra de câmbio

 Burguesia

Cruzadas

Dizima: imposto cobrado pelo clero, pago na época das colheitas, 10% da produção dos camponeses

Letra de câmbio

1293 - Bolsa mercadores D. Dinis

1377 – Companhia das naus D. Fernando

Banqueiro/cambista

Feira/carta de feira

Liga hanseática/hansa

Honra – terras da nobreza

Couto – terras do clero

Reguengos – terras do rei

Concelhos – povoação de homens livres

Carta de foral – documento régio que cria o concelho

Homens – bons/cavaleiros-vilãos – proprietários rurais

Peão/rendeiro – assalariados

Inquirições

Leis de desamortização

Curia régia – cortes

Centralização do poder regio – funcionários régios no concelho

Alcaide – chefe militar ou juiz que representa a autoridade do rei

Almotacé – trata dos abastecimentos ao concelho

Almoxarife – impostos

Meirinho – justiça

Corregedor – justiça/admistração com Afonso IV

Mordomo – cobra as rendas

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cristianismo e a Idade Medieval ou idade do feudalismo

·       A igreja católica no século VI
Os povos bárbaros que se estabeleceram no antigo Império Romano eram, na sua maioria, pagãos, ou seja, adoravam deuses que representavam a Natureza, a guerra e a fecundidade.
Num mundo de desordem, a igreja de Roma constituía a única força organizada. Tratou, por isso, de converter os povos invasores ao cristianismo. A partir do século VII, empreendeu um grande movimento de evangelização. Enviou missionários de diversas regiões do ocidente, em particular para terras das actuais França, Alemanha e Grã-Bretanha.
No movimento de evangelização dos bárbaros distinguiu-se o papa Gregório Magno (540-604, o primeiro grande papa medieval, impulsionador da evangelização dos povos bárbaros) muitos reis germânicos converteram-se ao cristianismo, bem como o seu povo. Assim aconteceu com Clóvis (rei dos francos), Recáredo (rei dos visigodos) e Teodemiro (rei dos Suevos)
       Neste movimento a evangelização, foi notável para acção de desenvolvida pela ordem de S. Bento. Esta ordem foi fundada em 529, no monte Cassino, Itália, pelo monge S. Bento de Núrsia. Aliava a oração ao trabalho manual (nos campos e nas oficinas) e ao trabalho intelectual (em particular a escrita/cópia de manuscritos). Deveriam dedicar-se às mais variadas tarefas.
A igreja apercebeu-se da extraordinária importância da ordem de S. Bento e protegeu-a. Missionários beneditinos foram enviados para as zonas pagãs da Europa.
A ordem de S. Bento desempenhou na Europa medieval um papel importantíssimo:
- Evangelização: divulgou o Cristianismo entre as populações.
- Desenvolvimento da economia: promoveu o desbravamento e exploração de terras e o trabalho artesanal
- Protecção às populações: auxiliou-as no dia-a-dia e hospedou os peregrinos e os marcadores.
- Incremento da cultura: criou escolas e bibliotecas e promoveu a cópia de manuscritos.


·       As invasões dos séculos VIII a X
Nos inícios do século VII, nasceu na Arábia uma nova religião muçulmana ou islamismo. O seu fundador foi Maomé (570-632) natural de Meca. Destacado centro religioso.
       5 Princípios fundamentais do Islão:
1.  Crença num só Deus único – Alá – de que Maomé era profeta.
2.  Oração 5 vezes ao dia
3.  Esmola a favor dos crentes mais pobres
4.  Prática do jejum durante o Ramadão (9º mês)
5.  Peregrinação a Meca, cidade santa, pelo menos uma vez na vida, se para tanto houver recursos
       As revelações religiosas de Maomé foram reunidas, após a sua morte, no Alcorão, livro sagrado do islão.
Maomé e os seus sucessores (os califas) ordenaram a expansão da nova religião através das armas - a guerra santa ou “jihad”. Nos séculos VII e VIII, os muçulmanos construíram um vasto império (rio Indo até á península Ibérica, e norte de África). Tinham uma economia comercial ou monetária (vias marítimas, fluviais e terrestres, produtos tapetes, espadas, couros, sedas, porcelanas, especiarias e escravos).

Os vikings (normandos ou dinamarqueses) originários da Escandinávia, atacaram os litorais e ocidente da Europa. Alcançaram os mares de Azov e Cáspio. No ocidente, os Vikings penetraram nos rios e saquearam e atemorizaram as populações.
Os húngaros eram bons cavaleiros, saquearam, durante mais de 50 anos, povoações e mosteiros de França, Alemanha e Itália.
Conclusão: todas estas invasões causaram graves perturbações na vida da Europa. As populações refugiaram-se nos campos, a agricultura tornou-se a principal actividade económica. Estas acolheram-se á protecção dos nobres e eclesiásticos. Então, instalou-se na Europa um novo regime político, económico e social – o feudalismo.
·            A organização social na Europa
Após as invasões Bárbaras, a igreja de Roma passou a constituir a única força bem organizada da Europa ocidental. Através do clero secular, nas dioceses e do clero regular, nos mosteiros, a igreja exercia a sua influência por toda a parte. Todos conheciam o poder e o prodígio do clero na sociedade. Nos séculos X e XI, a igreja viveu um período de dificuldades. Os membros do clero levavam uma vida de ostentação. Altos cargos eram comprados pelos grandes senhores da nobreza.
A vida dos monges afastou-se dos ideais da pobreza e austeridade. Em 910, reagindo contra esta situação, Guilherme, o Piedoso, fundou a ordem de Cluny. Dependia directamente do Papa e não dos Senhores e dos Bispos. Ocupavam-se, sobretudo, com a oração e o culto e prestavam menos atenção as trabalhos agrícolas e artesanais. Com o decorrer dos tempos, os monges de Cluny passaram a viver de forma opulenta. Por isso, em 1098, S. Bernardo fundou a ordem de Cister, estabelecendo para os monges uma vida austera dedicada aos trabalhos agrícolas, à oração e à cópia de manuscritos.
O Clero constituía um grupo social de grande força e prestígio:
- Possuía muitas terras, donde retirava muitas riquezas;
- Gozava de muitos privilégios e isenções de ordem judicial e fiscal;
- Exercia importantes cargos na administração, junto dos Reis ou localmente em dioceses e paróquias;
- Constituía o grupo social mais culto, pois os seus membros dirigiam as escolas, copiavam manuscritos, escreviam livros.

Conclusão: A Igreja foi maior instituição de influência e prestígio.
A organização do Clero – Na Idade Média, a igreja católica foi a instituição que mais exerceu na vida das pessoas e das instituições.
Membros da igreja católica – O Papa, o Cardeal, o Arcebispo, o Bispo, o Abade e Monges representam o clero medieval, grupo social de grande poder e prestígio.
Monge Copista – Como copistas e tradutores, os monges medievais preservaram inúmeros textos da cultura da antiguidade.
A nobreza constituía, juntamente com o clero, outra poderosa força da sociedade medieval.
A principal ocupação da nobreza era a guerra. Numa época de grande insegurança e de falta de austeridade real, a nobreza possuía um exército próprio e defendia a região onde vivia. Em lugares estratégicos, identificaram-se castelos onde as populações, em caso de necessidade, se acolhiam.
Os senhores para estarem bem preparados para a guerra, realizavam-se torneios, justas e participavam em caçadas. Envolviam-se em guerras com os outros senhores, para resolver conflitos e aumentar o seu poder e riqueza.
 Igreja procurou controlar o espírito guerreiro da nobreza e, em particular, e em particular as guerras privadas. Proibiu ataques a indefesos (paz de Deus) e impediu os combates em certas épocas do ano, como a Páscoa e o Natal (tréguas de Deus). No século XII, a cavalaria tinha por objectivo proteger os fracos e servir a igreja. Do mesmo modo, orientou o espírito guerreiro da nobreza para as cruzadas (reconquista dos lugares santos ocupados pelos muçulmanos na P.I. e em Jerusalém)
No século X, a nobreza aumentou os seus poderes. Clima de insegurança na Europa Ocidental (provocados pelos ataques e invasões dos muçulmanos, húngaros e normandos), o poder real enfraqueceu em benefício dos nobres. Passaram a dispor de vastos poderes: exército próprio, aplicação da justiça, lançamento de impostos e cunhagem de moeda.
As sucessivas invasões que assolaram o Ocidente provocaram a ruralização da vida europeia: refugiaram-se nos campos, o comércio e o artesanato decaíram e a agricultura tornou-se a ocupação de quase toda a gente.
Por isso, os camponeses – que viviam na dependência dos senhores – constituíam a maioria da população. Os artesãos (produtores de objectos variados) e os mercadores (que transportavam as mercadorias entre as regiões) faziam parte do povo.
·                   As relações feudo-vassalicas
Em resultado das dificuldades dos séculos VIII a XI os grandes senhores usurparam poderes que tinham pertencido aos monarcas – recebimento de certas rendas, cunhagem de moeda, aplicação de justiça e até de posse de exército próprio. Gozavam de quase total autoridade.
Por questões de segurança, os senhores menos poderosos colocaram-se na dependência dos senhores mais fortes. Foram-se criando, pouco a pouco, laços de dependência ou relações de vassalagem. Estas relações estabeleciam-se através de um acordo especial, o chamado contrato de vassalagem, que compreendia as seguintes cerimónias:
- A homenagem pela qual o vassalo se submetia à autoridade do suserano (o senhor mais poderoso), passando a ser, então, reconhecido como “homem de um senhor”.
- O juramento de fidelidade através do qual o vassalo se comprometia a cumprir o que tinha sido acordado.
- A investidura pela qual o vassalo recebia uma compensação – o feudo (em regra uma terra), que podia ser transmitido de geração em geração.
O contrato feito entre suserano e vassalo era para toda a vida e implicava obrigações e deveres mútuos. O suserano ficava obrigado a cumprir o contrato acordado e a proteger e socorrer o vassalo, o vassalo devia cumprir as obrigações do contrato de vassalagem.
Ao logo dos séculos X e XI, estabeleceram-se, por quase toda a Europa, laços de dependência entre os homens – entre o Rei (suserano dos suseranos), os grandes vassalos (ricos e poderosos membros do clero e da nobreza) e os pequenos vassalos (estratos inferiores do clero e da nobreza). Entre os séculos X e XII, dominou na Europa um sistema económico, social e político, a que os historiadores chamam Feudalismo. Teve o seu maior desenvolvimento em França, nas regiões compreendidas entre os rios Reno e Loire. Contudo, existiu em todas as regiões da Europa Ocidental.

Na Europa dos séculos IX a XII, a terra constituía a principal fonte de riqueza. Em grande parte pertencia à igreja (mosteiros, bispados) e à Nobreza. Às propriedades ou territórios dos senhores da nobreza ou do clero, os historiadores chamam senhorios ou domínios senhoriais.
O senhorio, isto é, a terra do senhor, era constituído por duas partes distintas:
- A reserva, explorada directamente pelo senhor, através de servos e camponeses, onde se situava a casa senhorial ou o castelo e as instalações agrícolas (celeiros, estábulos, oficinas).
- Os mansos (ou casais em Portugal), terras arrendadas pelo senhor aos camponeses para exploração, em troca de uma parte da produção sob forma de rendas e de trabalho gratuito na reserva. Cada uma destas parcelas de terra era explorada por uma família de camponeses.
O domínio senhorial, para além das terras de cultivo abrangia também bosques, pastagens, baldios, moinhos, fornos, todos pertencentes ao senhor. A extensão das terras dos senhorios variava de região para região.
Entre os senhores (donos das terras) e os camponeses (os trabalhadores rurais nos senhorios) estabeleciam-se uma série de obrigações. Os senhores concediam aos camponeses o direito a explorar parcelas dos seus domínios (mansos ou casais) e a guardar parte da produção. Em contrapartida, comprometiam-se a dar-lhes protecção em caso de ataques militares. Deviam aos senhores:
- O pagamento de rendas, pagas em géneros (produtos) e correspondentes a uma parte da colheita.
- O pagamento das corveias (trabalho gratuito, durante certos dias por semana, nas terras do senhor) e de banalidades (utilização dos fornos moinhos e lagares do senhor, mediante o pagamento de parte do produto obtido)
Os camponeses estavam ainda sujeitos a outros encargos e ao pagamento de multas e castigos, pois o direito da justiça cabia ao senhor.
Camponeses e actividades agrícolas – Nos domínios senhoriais trabalhavam camponeses livres (os colonos) e não livres (os servos, que eram muito numerosos). Estes não podiam abandonar, sem autorização, o senhorio.
Camponeses cumprem a corveia – A obrigação de trabalhar certos dias da semana (dois ou três) nas terras do senhor era uma exigência pesada, imposta aos camponeses pelo senhor.
Utilização do forno banal – O seu uso implicava o pagamento ao senhor de certas importâncias em dinheiro ou em géneros.
Definições, Conceitos e Curiosidades
Quais foram as transformações provocadas pelas invasões germânicas?
·                Bárbaros
·                Reino
·                Idade Média ou Idade do Feudalismo (feudo)
Qual a importância da igreja católica na Europa após o século VI
·         Igreja Católica
·         Arianas (bispo Ario)
·         Clero secular – papa, cardeal, bispo, pároco (padre)
·         Clero regular – abade e monges
·         Regra de S. Bento – “ora et labora” (reza e trabalha)
·         Ordem religião
·         Monaquismo – movimento de criação de mosteiros e de monges
Características do mosteiro: o mosteiro e isolado de tudo o resto, tinha de tudo o que: eles precisavam, refeitório enorme com mesas dos dois lados e uma fogueira no meio.
     Quais foram as características das invasões na Europa dos séculos VIII_X
·         Ruralização
·         Economia de subsistência
Identificar as características do islão
·         Islamismo
·         Islão – submissão a deus
·         Muçulmano – crente
·         Ramadão – mês sagrado do jejum (9º mês)
·         Caaba – cubo (Meca)
·         Hejj – peregrinação sagrada a Meca
·         Hijira 662 – Medina/Yatrib
·         Maomé – Muhamad (570/632)
Como se processou a expansão do islão
·         Califa – sucessor de Maomé
·         Califado – unidade de território governado pelo califa (sultão)
·        Omíadas – primeira dinastia de califas, damasco 661
·        Abássidas - segunda dinastia de califas, Bagdad 750
·         Vizir – primeiro-ministro do califa/sultão
·         Emir – chefe militar
·         Emirato – província, unidade de território governada pelo emir
·         Rota comercial
·         Jihad – guerra santa
·       Como se caracterizava a sociedade medieval
·        Carlos Magno – 742-814 (Carlos II – rei de França, Lotário I imperador do sacro império germânico)
·         Carlos Martel – batalha de Poitiers 732
·         Sociedade Trinitária
·         Aristocracia/nobreza
·         Servos
·         Suserano – senhor que no contrato de vassalagem (soberano)
·         Vassalo – aquele que deve obediência e fidelidade ao suserano
·         Contrato de vassalagem – entre o rei e os nobres é escrito e passa por uma cerimónia na corte, entre os nobres e os camponeses é oral
·        Cerimónia de vassalagem – homenagem + juramento de fidelidade + investidura
·         Feudalismo – modelo de organização social e política da Europa ocidental, entre os séculos IX e XIII. Tinha por base o feudo (terras, rendas) ou beneficio acordado entre o senhor e o seu vassalo, em troca da sua fidelidade e de algumas obrigações, como ajuda militar. Os senhores eram dependentes uns dos outros e cada um deles era vassalo de um outro senhor mais poderoso. Assim, formava-se uma pirâmide social coroada pelo rei, ou seja, o senhor dos senhores.
·         Feudo – significa aquilo que é transmitido ao vassalo no contrato de vassalagem: um título e terras, uma quantia em ouro ou um cargo na corte (mordomo, chanceler, marshal)
·         Tipos de reserva: pastagens, florestas e zona para cultivar cereais.
·         Senhorio - domínio senhorial – terras do senhor
·         Reserva – as melhores terras do domínio que o senhor não arrenda e explora directamente com trabalho dos servos e pelas corveias.
·         Servo – camponês não livre, descendente de antigos escravos.
·         Colono – camponês livre
·         Mansos/casais – parcelas de terras arrendadas pelos colonos
·         Renda – pagamento pelo aluguer do manso, pelo menos 2 vezes por ano, em dinheiro e em géneros (produtos agrícolas)
·         Corveias – dias de trabalho gratuito na reserva do senhor (2 ou 3 dias)
·         Banalidades – tributo pago pela utilização do moinho, do forno e do lagar
·         Talha – pagamento da protecção do senhor
·         Peagens – imposto pela transacção de mercadorias (“portagens”)
·         “Prima Noce” – direito á noite núpcias