· A igreja católica no século VI
Os povos bárbaros que se estabeleceram no antigo Império Romano eram, na sua maioria, pagãos, ou seja, adoravam deuses que representavam a Natureza, a guerra e a fecundidade.
Num mundo de desordem, a igreja de Roma constituía a única força organizada. Tratou, por isso, de converter os povos invasores ao cristianismo. A partir do século VII, empreendeu um grande movimento de evangelização. Enviou missionários de diversas regiões do ocidente, em particular para terras das actuais França, Alemanha e Grã-Bretanha.
No movimento de evangelização dos bárbaros distinguiu-se o papa Gregório Magno (540-604, o primeiro grande papa medieval, impulsionador da evangelização dos povos bárbaros) muitos reis germânicos converteram-se ao cristianismo, bem como o seu povo. Assim aconteceu com Clóvis (rei dos francos), Recáredo (rei dos visigodos) e Teodemiro (rei dos Suevos)
Neste movimento a evangelização, foi notável para acção de desenvolvida pela ordem de S. Bento. Esta ordem foi fundada em 529, no monte Cassino, Itália, pelo monge S. Bento de Núrsia. Aliava a oração ao trabalho manual (nos campos e nas oficinas) e ao trabalho intelectual (em particular a escrita/cópia de manuscritos). Deveriam dedicar-se às mais variadas tarefas.
A igreja apercebeu-se da extraordinária importância da ordem de S. Bento e protegeu-a. Missionários beneditinos foram enviados para as zonas pagãs da Europa.
A ordem de S. Bento desempenhou na Europa medieval um papel importantíssimo:
- Evangelização: divulgou o Cristianismo entre as populações.
- Desenvolvimento da economia: promoveu o desbravamento e exploração de terras e o trabalho artesanal
- Protecção às populações: auxiliou-as no dia-a-dia e hospedou os peregrinos e os marcadores.
- Incremento da cultura: criou escolas e bibliotecas e promoveu a cópia de manuscritos.
· As invasões dos séculos VIII a X
Nos inícios do século VII, nasceu na Arábia uma nova religião muçulmana ou islamismo. O seu fundador foi Maomé (570-632) natural de Meca. Destacado centro religioso.
5 Princípios fundamentais do Islão:
1. Crença num só Deus único – Alá – de que Maomé era profeta.
2. Oração 5 vezes ao dia
3. Esmola a favor dos crentes mais pobres
4. Prática do jejum durante o Ramadão (9º mês)
5. Peregrinação a Meca, cidade santa, pelo menos uma vez na vida, se para tanto houver recursos
As revelações religiosas de Maomé foram reunidas, após a sua morte, no Alcorão, livro sagrado do islão.
Maomé e os seus sucessores (os califas) ordenaram a expansão da nova religião através das armas - a guerra santa ou “jihad”. Nos séculos VII e VIII, os muçulmanos construíram um vasto império (rio Indo até á península Ibérica, e norte de África). Tinham uma economia comercial ou monetária (vias marítimas, fluviais e terrestres, produtos tapetes, espadas, couros, sedas, porcelanas, especiarias e escravos).
Os vikings (normandos ou dinamarqueses) originários da Escandinávia, atacaram os litorais e ocidente da Europa. Alcançaram os mares de Azov e Cáspio. No ocidente, os Vikings penetraram nos rios e saquearam e atemorizaram as populações.
Os húngaros eram bons cavaleiros, saquearam, durante mais de 50 anos, povoações e mosteiros de França, Alemanha e Itália.
Conclusão: todas estas invasões causaram graves perturbações na vida da Europa. As populações refugiaram-se nos campos, a agricultura tornou-se a principal actividade económica. Estas acolheram-se á protecção dos nobres e eclesiásticos. Então, instalou-se na Europa um novo regime político, económico e social – o feudalismo.
· A organização social na Europa
Após as invasões Bárbaras, a igreja de Roma passou a constituir a única força bem organizada da Europa ocidental. Através do clero secular, nas dioceses e do clero regular, nos mosteiros, a igreja exercia a sua influência por toda a parte. Todos conheciam o poder e o prodígio do clero na sociedade. Nos séculos X e XI, a igreja viveu um período de dificuldades. Os membros do clero levavam uma vida de ostentação. Altos cargos eram comprados pelos grandes senhores da nobreza.
A vida dos monges afastou-se dos ideais da pobreza e austeridade. Em 910, reagindo contra esta situação, Guilherme, o Piedoso, fundou a ordem de Cluny. Dependia directamente do Papa e não dos Senhores e dos Bispos. Ocupavam-se, sobretudo, com a oração e o culto e prestavam menos atenção as trabalhos agrícolas e artesanais. Com o decorrer dos tempos, os monges de Cluny passaram a viver de forma opulenta. Por isso, em 1098, S. Bernardo fundou a ordem de Cister, estabelecendo para os monges uma vida austera dedicada aos trabalhos agrícolas, à oração e à cópia de manuscritos.
O Clero constituía um grupo social de grande força e prestígio:
- Possuía muitas terras, donde retirava muitas riquezas;
- Gozava de muitos privilégios e isenções de ordem judicial e fiscal;
- Exercia importantes cargos na administração, junto dos Reis ou localmente em dioceses e paróquias;
- Constituía o grupo social mais culto, pois os seus membros dirigiam as escolas, copiavam manuscritos, escreviam livros.
Conclusão: A Igreja foi maior instituição de influência e prestígio.
A organização do Clero – Na Idade Média, a igreja católica foi a instituição que mais exerceu na vida das pessoas e das instituições.
Membros da igreja católica – O Papa, o Cardeal, o Arcebispo, o Bispo, o Abade e Monges representam o clero medieval, grupo social de grande poder e prestígio.
Monge Copista – Como copistas e tradutores, os monges medievais preservaram inúmeros textos da cultura da antiguidade.
A nobreza constituía, juntamente com o clero, outra poderosa força da sociedade medieval.
A principal ocupação da nobreza era a guerra. Numa época de grande insegurança e de falta de austeridade real, a nobreza possuía um exército próprio e defendia a região onde vivia. Em lugares estratégicos, identificaram-se castelos onde as populações, em caso de necessidade, se acolhiam.
Os senhores para estarem bem preparados para a guerra, realizavam-se torneios, justas e participavam em caçadas. Envolviam-se em guerras com os outros senhores, para resolver conflitos e aumentar o seu poder e riqueza.
Igreja procurou controlar o espírito guerreiro da nobreza e, em particular, e em particular as guerras privadas. Proibiu ataques a indefesos (paz de Deus) e impediu os combates em certas épocas do ano, como a Páscoa e o Natal (tréguas de Deus). No século XII, a cavalaria tinha por objectivo proteger os fracos e servir a igreja. Do mesmo modo, orientou o espírito guerreiro da nobreza para as cruzadas (reconquista dos lugares santos ocupados pelos muçulmanos na P.I. e em Jerusalém)
No século X, a nobreza aumentou os seus poderes. Clima de insegurança na Europa Ocidental (provocados pelos ataques e invasões dos muçulmanos, húngaros e normandos), o poder real enfraqueceu em benefício dos nobres. Passaram a dispor de vastos poderes: exército próprio, aplicação da justiça, lançamento de impostos e cunhagem de moeda.
As sucessivas invasões que assolaram o Ocidente provocaram a ruralização da vida europeia: refugiaram-se nos campos, o comércio e o artesanato decaíram e a agricultura tornou-se a ocupação de quase toda a gente.
Por isso, os camponeses – que viviam na dependência dos senhores – constituíam a maioria da população. Os artesãos (produtores de objectos variados) e os mercadores (que transportavam as mercadorias entre as regiões) faziam parte do povo.
· As relações feudo-vassalicas
Em resultado das dificuldades dos séculos VIII a XI os grandes senhores usurparam poderes que tinham pertencido aos monarcas – recebimento de certas rendas, cunhagem de moeda, aplicação de justiça e até de posse de exército próprio. Gozavam de quase total autoridade.
Por questões de segurança, os senhores menos poderosos colocaram-se na dependência dos senhores mais fortes. Foram-se criando, pouco a pouco, laços de dependência ou relações de vassalagem. Estas relações estabeleciam-se através de um acordo especial, o chamado contrato de vassalagem, que compreendia as seguintes cerimónias:
- A homenagem pela qual o vassalo se submetia à autoridade do suserano (o senhor mais poderoso), passando a ser, então, reconhecido como “homem de um senhor”.
- O juramento de fidelidade através do qual o vassalo se comprometia a cumprir o que tinha sido acordado.
- A investidura pela qual o vassalo recebia uma compensação – o feudo (em regra uma terra), que podia ser transmitido de geração em geração.
O contrato feito entre suserano e vassalo era para toda a vida e implicava obrigações e deveres mútuos. O suserano ficava obrigado a cumprir o contrato acordado e a proteger e socorrer o vassalo, o vassalo devia cumprir as obrigações do contrato de vassalagem.
Ao logo dos séculos X e XI, estabeleceram-se, por quase toda a Europa, laços de dependência entre os homens – entre o Rei (suserano dos suseranos), os grandes vassalos (ricos e poderosos membros do clero e da nobreza) e os pequenos vassalos (estratos inferiores do clero e da nobreza). Entre os séculos X e XII, dominou na Europa um sistema económico, social e político, a que os historiadores chamam Feudalismo. Teve o seu maior desenvolvimento em França, nas regiões compreendidas entre os rios Reno e Loire. Contudo, existiu em todas as regiões da Europa Ocidental.
Na Europa dos séculos IX a XII, a terra constituía a principal fonte de riqueza. Em grande parte pertencia à igreja (mosteiros, bispados) e à Nobreza. Às propriedades ou territórios dos senhores da nobreza ou do clero, os historiadores chamam senhorios ou domínios senhoriais.
O senhorio, isto é, a terra do senhor, era constituído por duas partes distintas:
- A reserva, explorada directamente pelo senhor, através de servos e camponeses, onde se situava a casa senhorial ou o castelo e as instalações agrícolas (celeiros, estábulos, oficinas).
- Os mansos (ou casais em Portugal), terras arrendadas pelo senhor aos camponeses para exploração, em troca de uma parte da produção sob forma de rendas e de trabalho gratuito na reserva. Cada uma destas parcelas de terra era explorada por uma família de camponeses.
O domínio senhorial, para além das terras de cultivo abrangia também bosques, pastagens, baldios, moinhos, fornos, todos pertencentes ao senhor. A extensão das terras dos senhorios variava de região para região.
Entre os senhores (donos das terras) e os camponeses (os trabalhadores rurais nos senhorios) estabeleciam-se uma série de obrigações. Os senhores concediam aos camponeses o direito a explorar parcelas dos seus domínios (mansos ou casais) e a guardar parte da produção. Em contrapartida, comprometiam-se a dar-lhes protecção em caso de ataques militares. Deviam aos senhores:
- O pagamento de rendas, pagas em géneros (produtos) e correspondentes a uma parte da colheita.
- O pagamento das corveias (trabalho gratuito, durante certos dias por semana, nas terras do senhor) e de banalidades (utilização dos fornos moinhos e lagares do senhor, mediante o pagamento de parte do produto obtido)
Os camponeses estavam ainda sujeitos a outros encargos e ao pagamento de multas e castigos, pois o direito da justiça cabia ao senhor.
Camponeses e actividades agrícolas – Nos domínios senhoriais trabalhavam camponeses livres (os colonos) e não livres (os servos, que eram muito numerosos). Estes não podiam abandonar, sem autorização, o senhorio.
Camponeses cumprem a corveia – A obrigação de trabalhar certos dias da semana (dois ou três) nas terras do senhor era uma exigência pesada, imposta aos camponeses pelo senhor.
Utilização do forno banal – O seu uso implicava o pagamento ao senhor de certas importâncias em dinheiro ou em géneros.
Definições, Conceitos e Curiosidades
Quais foram as transformações provocadas pelas invasões germânicas?
· Bárbaros
· Reino
· Idade Média ou Idade do Feudalismo (feudo)
Qual a importância da igreja católica na Europa após o século VI
· Igreja Católica
· Arianas (bispo Ario)
· Clero secular – papa, cardeal, bispo, pároco (padre)
· Clero regular – abade e monges
· Regra de S. Bento – “ora et labora” (reza e trabalha)
· Ordem religião
· Monaquismo – movimento de criação de mosteiros e de monges
Características do mosteiro: o mosteiro e isolado de tudo o resto, tinha de tudo o que: eles precisavam, refeitório enorme com mesas dos dois lados e uma fogueira no meio.
Quais foram as características das invasões na Europa dos séculos VIII_X
· Ruralização
· Economia de subsistência
Identificar as características do islão
· Islamismo
· Islão – submissão a deus
· Muçulmano – crente
· Ramadão – mês sagrado do jejum (9º mês)
· Caaba – cubo (Meca)
· Hejj – peregrinação sagrada a Meca
· Hijira 662 – Medina/Yatrib
· Maomé – Muhamad (570/632)
Como se processou a expansão do islão
· Califa – sucessor de Maomé
· Califado – unidade de território governado pelo califa (sultão)
· Omíadas – primeira dinastia de califas, damasco 661
· Abássidas - segunda dinastia de califas, Bagdad 750
· Vizir – primeiro-ministro do califa/sultão
· Emir – chefe militar
· Emirato – província, unidade de território governada pelo emir
· Rota comercial
· Jihad – guerra santa
· Como se caracterizava a sociedade medieval
· Carlos Magno – 742-814 (Carlos II – rei de França, Lotário I imperador do sacro império germânico)
· Carlos Martel – batalha de Poitiers 732
· Sociedade Trinitária
· Aristocracia/nobreza
· Servos
· Suserano – senhor que no contrato de vassalagem (soberano)
· Vassalo – aquele que deve obediência e fidelidade ao suserano
· Contrato de vassalagem – entre o rei e os nobres é escrito e passa por uma cerimónia na corte, entre os nobres e os camponeses é oral
· Cerimónia de vassalagem – homenagem + juramento de fidelidade + investidura
· Feudalismo – modelo de organização social e política da Europa ocidental, entre os séculos IX e XIII. Tinha por base o feudo (terras, rendas) ou beneficio acordado entre o senhor e o seu vassalo, em troca da sua fidelidade e de algumas obrigações, como ajuda militar. Os senhores eram dependentes uns dos outros e cada um deles era vassalo de um outro senhor mais poderoso. Assim, formava-se uma pirâmide social coroada pelo rei, ou seja, o senhor dos senhores.
· Feudo – significa aquilo que é transmitido ao vassalo no contrato de vassalagem: um título e terras, uma quantia em ouro ou um cargo na corte (mordomo, chanceler, marshal)
· Tipos de reserva: pastagens, florestas e zona para cultivar cereais.
· Senhorio - domínio senhorial – terras do senhor
· Reserva – as melhores terras do domínio que o senhor não arrenda e explora directamente com trabalho dos servos e pelas corveias.
· Servo – camponês não livre, descendente de antigos escravos.
· Colono – camponês livre
· Mansos/casais – parcelas de terras arrendadas pelos colonos
· Renda – pagamento pelo aluguer do manso, pelo menos 2 vezes por ano, em dinheiro e em géneros (produtos agrícolas)
· Corveias – dias de trabalho gratuito na reserva do senhor (2 ou 3 dias)
· Banalidades – tributo pago pela utilização do moinho, do forno e do lagar
· Talha – pagamento da protecção do senhor
· Peagens – imposto pela transacção de mercadorias (“portagens”)
· “Prima Noce” – direito á noite núpcias