terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Descobrimentos Portugueses

1.    As condições da prioridade portuguesa nos Descobrimentos

Estávamos motivados para apoiar o projeto da expansão, mas não bastava haver vontade, eram necessárias condições. XV, reunis um conjunto de condições que lhe permitiam ser o primeiro país europeu a iniciar expansão marítima. As principais condições que permitiram a prioridade portuguesa no processo dessa expansão foram:

A Estabilidade política e o clima de paz que se estabeleceu em Portugal;

A situação geográfica do país, com uma extensa costa marítima, aberta ao oceano Atlântico e com bons portos;

A tradição na prática de atividades ligadas ao mar, como a pesca e comércio marítimo ao longo da costa e com países do Norte da Europa;

O apoio régio dado, desde o século XIII, à atividade marítima e à construção naval com iniciativas como a fundação da bolsa de mergulhadores (1293) e da companhia das naus (1377);

A permanência no território de muçulmanos e judeus, que permitiram aos portugueses o contacto com técnicas e instrumentos de navegação já utilizados por outros povos no Oriente.

A experiência nas atividades ligadas ao mar e os conhecimentos de ciência náutica trazidos pelos muçulmanos. Planear viagens marítimas. Instrumentos já utilizados por outros povos, como bússola, foram adaptados e aperfeiçoados à navegação em mar alto.

            A navegação astronómica, que permitia aos marinheiros orientarem-se através dos astros utilizando instrumentos como a bússola, o quadrante, o astrolábio, e balestilha. Para definirem as suas rotas usavam cartas de marear e portulanos.

A construção da caravela pelo aperfeiçoamento das embarcações, aplicando a vela triangular e o leme central que permitiam bolinar.

2.   As motivações co início da expansão e a conquista de Ceuta

No início do século XV, a Europa estava a tentar recuperar de uma situação de crise. Os Europeus iniciaram um processo de expansão, procurando soluções além-mar para superarem a crise. Queriam resolver problemas como:

            - Falta de cereais

            - Falta de ouro para cunhar moeda, necessária para dinamizar o comércio

            - Falta de matérias-primas e de mão-de-obra para a produção agrícola e manufatureira

O ouro que abastecia os mercados europeus vinha do interior de África, através de Marrocos. O objetivo dos europeus, e dos portugueses em particular, era chegar á origem destes produtos e controlar a sua comercialização.

            A expansão marítima foi entendida como um projeto nacional, envolvendo todos os grupos da sociedade portuguesa:

            - O rei, D. João I, representando a nova dinastia de Avis, desejava afirmar o seu poder e grandeza face às outras nações e resolver os problemas económicos do país

            - A nova nobreza queria enriquecer obtenho novos cargos, mais terras e mão-de-obra para a agricultura

            - O clero pretendia expandir a Fé cristã, combater os Muçulmanos e aumentar os seus rendimentos

            - A burguesia pretendia aumentar os seus lucros e poder, procurando novos mercadores para o comércio

            - O povo via a expansão como uma possibilidade de melhorar a vida, participando nas viagens, emigrando e beneficiando das baixas dos preços dos produtos que chegavam por mar.

A expansão portuguesa iniciou-se com D. João I. o infante D. Henrique, quem liderou o projeto de expansão do território por mar. D. Henrique foi viver para Lagos, onde se rodeou de cartógrafos, matemáticos, astrónomos e navegadores que o aconselhavam.

A expansão portuguesa foi marcada por diferentes rumos e etapas, interesses políticos e sociais. Istro fez com que a expansão revestisse a forma ora de conquistas, ora de descobertas. Ceuta era dominada pelos muçulmanos, foi a primeira cidade a ser conquistada, em 1415. E isto foi início da expansão portuguesa.



Razões que levaram os portugueses à conquista de Ceuta:

A importância de Ceuta como entreposto comercial onde os mercadores europeus se abasteciam de ouro, especiarias e produtos de luxo trazidos pelas caravanas de mercadores muçulmanos, através das rotas do Levante (rotas da seda, do ouro e das especiarias); a fertilidade dos solos em volta da cidade que permitia a produção de cereais;

A posição estratégica de Ceuta, no estreito de Gibraltar, que permitia o controlo das embarcações que entravam e saíam do Mediterrâneo;

A expansão da fé cristã;

O combate à pirataria muçulmana, que atacava com frequência os navios portugueses e a costa algarvia;

A conquista de outras cidades no Norte de África.

Ceuta parecia ser a resposta aos problemas económicos. A conquista da cidade foi liderada pelo próprio Rei D. João I. O domínio da cidade acabou por ser um fracasso económico. Os muçulmanos desviaram as suas rotas de comércio para outras cidades do Norte de África. A guerra passou a ser constante. Ceuta era uma cidade cristã rodeada de muçulmanos. A situação de guerra impedia o cultivo de cereais, afastava o comércio e obrigava a coroa portuguesa a grandes despesas militares para manter a cidade protegida. Levantou-se a hipótese de abandonar a cidade.

A continuação das conquistas de terras, no Norte de África, apoiada por parte da nobreza que podia dedicar-se à guerra e obter terras e títulos;

A exploração marítima ao longo da costa africana, defendida por outra parte da nobreza e pela burguesia.

         

3. A colonização e a exploração dos arquipélagos atlânticos

Foram utilizados diferentes processos de exploração e de colonização, como veremos. O Infante D. Henrique teve um papel fundamental no início da expansão portuguesa. A ele se devem muitas das viagens que se fizeram à costa africana entre 1415 e 1460 (data da sua morte). Os portugueses chegaram aos arquipélagos atlânticos. Madeira, Açores e Canárias, já apareciam assinalados em alguns mapas do século XIV. Alguns historiadores atribuem aos portugueses um reconhecimento oficial, uma (re)descoberta desse arquipélago. A descoberta oficial da Madeira foi feita por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, entre 1419 e 1420. Em 1427 Diogo Silves descobriu algumas ilhas do arquipélago dos Açores. Em 1452 foi conhecida a totalidade das ilhas. Tanto a Madeira como os Açores eram desabitados. Para poderem explorar estas ilhas e para impedir que países estrangeiros se apoderassem delas, foi necessário proceder-se à sua colonização, ou seja, povoar, desbravar e promover as terras.

Algarvios o Minhotos e alguns estrangeiros fixaram-se nas ilhas atlânticas. A colonização destes arquipélagos, fizeram-se aplicando o sistema de capitanias-donatárias, administradas por capitães-donatários. As capitanias, grandes extensões de terra ou mesmo uma ilha eram doadas a elementos da pequena nobreza que passavam a ter o poder de administrar a justiça, cobrar impostos e distribuir terras aos povoadores que as quisessem trabalhar (um feudo). A riqueza natural das ilhas levou ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Na Madeira cultivavam-se cereais, vinha e cana-de-açúcar. Nos Açores desenvolveu-se a criação de gado, o cultivo de cereais e de plantas tintureiras (pastel e urzela).



4. A Costa africana e política de D. Afonso V

O objetivo das viagens marítimas no início do século XV era a exploração da costa africana, para chegar aos locais de produção do ouro e controlar o comércio nesta região. A costa ocidental africana era conhecida até ao Cabo Bojador. Dizia-se que aí ficava o “fim do mundo”, e o mar tenebroso povoado de monstros. Em 1434 o navegador Gil Eanes conseguiu passar além do Cabo Bojador.

As viagens de exploração da costa africana continuaram:

            - Em 1436, os portugueses chegaram ao que pensaram ser, e por isso chamaram, o Rio do Ouro e descobriram a Guiné;

            - Em 1443, chegaram À cidade de Arguim, onde construíram uma feitoria;

            - Em 1456, descobriram o arquipélago de Cabo Verde.

Quando o Infante D. Henrique morreu eram conhecidas as terras da costa africana

À Serra Leoa.

Em 1460 as viagens abrandaram. D. Afonso V não se interessou muito pela expansão marítima, preferindo investir nas conquistas do Norte de África. As cidades de Alcácer Ceguer, Arzila e Tanger foram conquistadas (por esta ordem) em 1458 e 1471. Contudo, a pressão dos muçulmanos sobre estas cidades e sobre Ceuta continuam. Tornou-se um pesado encargo militar para os portugueses. A exploração da costa africana foi arrendada a um mercador, Fernão Gomes, em troca do pagamento de uma renda, explorava as riquezas dos territórios da costa africana. Para além do ouro, os portugueses passaram a ter acesso a outras riquezas, como o marfim e a malagueta e desenvolveram tráfico de escravos. O contrato de Fernão Gomes durou de 1469 a 1475. D. João II resolveu tomar a seu cargo a expansão marítima.

5. A política expansionista de D. João II

D. João II subiu ao trono em 1481, era responsável pelas viagens da expansão desde 1474. Principal objetivo era atingir a India por mar, contornando Africa. Empreendeu diversas viagens:

As de Diogo Cão, que, em 1482 – 83 atingiu a foz do rio Zaire;

As de Bartolomeu Dias, que em 1487-88 dobrou o cabo das tormentas (cabo da boa esperança).

O cabo das tormentas passou a chamar-se cabo da boa esperança pelas possibilidades que abriu. A descoberta do caminho marítimo para a India só viria a ser alcançada anos mais tarde, no reinado de D. Manuel.

Portugal foi o primeiro pais Europeu a empreender a expansão por mar, mas, logo a seguir, Castela também iniciou as suas viagens marítimas. Para solucionar, estas rivalidades, foi assinado em 1479, o Tratado das Alcáçovas, segundo o qual Portugal ficava com o controlo do atlântico Africano e Castela com o domínio das Canárias e a conquista do reino de Granada. Em 1492, o navegador Cristóvão Colombo, ao serviço dos reis de Espanha, iniciou uma viagem para atingir a India navegando por ocidente. Nesta viagem chegou a um território, a América. D. João II, invocando o anterior tratado, reclamou essas terras para Portugal. Castela recusava-se a entrega-las por terem sido terras descobertas pela coroa castelhana. Foi pedido ao Papa que solucionasse o problema. Em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas. Estre tratado pôs em prática a ideia do Mare Clausum, dividindo o mundo em duas partes, um meridiano de polo a polo situado a 370 léguas de Cabo Verde. As terras, descobertas ou a descobrir, situadas a ocidente desse meridiano seriam de Castela, as situadas a oriente, ficariam para Portugal.

Definições e curiosidades

Quais foram as razões que conduziram os portugueses á expansão?

            - Navegação astronómica

            - Astrolábio

            - Quadrante

            - Cartografia

            - Portulanos

            - Cruzadas

Descobrimentos: ações pacíficas, com base em interesses económicos, geográficos e científicos, dizem respeito à costa africana, á passagem para o Indico, à costa americana. No início são da responsabilidade do D. Infante Henrique.

Expansão: ações de conquista, podem implicar o uso da força militar, com base em interesses económicos e políticos estratégicos (colonização), diz respeito às cidades do Norte de África, à India e ao Oriente, à América do Sul. É da responsabilidade da Coroa Portuguesa.

Quais foram as motivações que conduziram os portugueses à conquista de Ceuta?

Como foram colonizados os arquipélagos atlânticos?

            - Colonização

            - Capitanias

            - Capitães donatários

Expansão :

Ceuta/1415 (D. João I) + Tânger/1437 (D. Duarte)

                                      - Rivalidade com Castela

D. Pedro 1439 – 1448

D. Afonso V 1448-1481 = Alcácer Ceguer 1458

D. Afonso V: Arzila e Tânger 1471

D. João II à1481

1492 à Conquista de Granada

1492-93 àViagem de Cristóvão Colombo

1493 àPapa Alexandre VI – Castela domina o Atlântico 100 Léguas a partir do ocidente

1494 à Tratado de Tordesilhas

1495 à Morte do rei D. João II

Descobrimentos :

1419 à Madeira, Porto Santo (árvores tintureiras)

1424 à Canárias

1427 à Açores = Flores e Corvo em 14521422 A 1434 à Cabo Bojador (15 expedições) = Gil Eanes

1441 à Cabo Branco = Nuno Tristão

1443 à Arguim = primeiro resgate = Primeiro ouro em Pó = monopólio de D. Henrique

1444 à Cabo Verde = Dinis Dias

1446 à Rio Gâmbia = Estevão Afonso

1448 à Passa a ser proibido tomar escravos, só comprá-los

1445 à Papa Nicolau V reconhece-nos o domínio de todas as terras conquistadas (tratado das Alcáçovas)

1456 à Ilhas de Cabo Verde = Luís de Cadamosto

1460 à Serra Leoa = Pedro de Sintra = D. Henrique morre

1471 à Costa do Marfim e Fernão Pó, São Tomé e Príncipe

1474 à Cabo de Sta. Catarina = Rui de Sequeira

1475 – 1482 à Paragem devido ao Equador

1482 à Foz do Rio Zaire – Diogo Cão= padrão de S. Jorge

1485 à Serra Parda = Diogo Cão

1487à Viagens de Pêro da Covilhã e Afonso Paiva

1487-88 à Bartolomeu Dias = Cabo da Boa Esperança

Surto da expansão Portuguesa

Condições humanas favoráveis:

            Sociais (a nova sociedade pós-1385)

            Geográficas (localização e tradição marítima dos portugueses)

            Técnicas (progressos na ciência e técnicas náuticas: embarcações, instrumentos, cartografia,…)

Motivações económicas:

            Carência de cereais, ouro, escravos, plantas tintureiras, especiarias, …

Motivações religiosas:

            Combater os muçulmanos

            Espalhar a Fé

Rumo Atlântico:

            Madeira

            Açores

Rumo Norte de África:

            Ceuta

            Outras praças marroquinas

Rumo Atlântico Sul:

            Exploração da costa ocidental africana

            India

            Brasil

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