1. As condições da prioridade portuguesa nos Descobrimentos
Estávamos motivados para apoiar o projeto da expansão, mas não bastava haver vontade, eram necessárias condições. XV, reunis um conjunto de condições que lhe permitiam ser o primeiro país europeu a iniciar expansão marítima. As principais condições que permitiram a prioridade portuguesa no processo dessa expansão foram:
A Estabilidade política e o clima de paz que se estabeleceu em Portugal;
A situação geográfica do país, com uma extensa costa marítima, aberta ao oceano Atlântico e com bons portos;
A tradição na prática de atividades ligadas ao mar, como a pesca e comércio marítimo ao longo da costa e com países do Norte da Europa;
O apoio régio dado, desde o século XIII, à atividade marítima e à construção naval com iniciativas como a fundação da bolsa de mergulhadores (1293) e da companhia das naus (1377);
A permanência no território de muçulmanos e judeus, que permitiram aos portugueses o contacto com técnicas e instrumentos de navegação já utilizados por outros povos no Oriente.
A experiência nas atividades ligadas ao mar e os conhecimentos de ciência náutica trazidos pelos muçulmanos. Planear viagens marítimas. Instrumentos já utilizados por outros povos, como bússola, foram adaptados e aperfeiçoados à navegação em mar alto.
A navegação astronómica, que permitia aos marinheiros orientarem-se através dos astros utilizando instrumentos como a bússola, o quadrante, o astrolábio, e balestilha. Para definirem as suas rotas usavam cartas de marear e portulanos.
A construção da caravela pelo aperfeiçoamento das embarcações, aplicando a vela triangular e o leme central que permitiam bolinar.
2. As motivações co início da expansão e a conquista de Ceuta
No início do século XV, a Europa estava a tentar recuperar de uma situação de crise. Os Europeus iniciaram um processo de expansão, procurando soluções além-mar para superarem a crise. Queriam resolver problemas como:
- Falta de cereais
- Falta de ouro para cunhar moeda, necessária para dinamizar o comércio
- Falta de matérias-primas e de mão-de-obra para a produção agrícola e manufatureira
O ouro que abastecia os mercados europeus vinha do interior de África, através de Marrocos. O objetivo dos europeus, e dos portugueses em particular, era chegar á origem destes produtos e controlar a sua comercialização.
A expansão marítima foi entendida como um projeto nacional, envolvendo todos os grupos da sociedade portuguesa:
- O rei, D. João I, representando a nova dinastia de Avis, desejava afirmar o seu poder e grandeza face às outras nações e resolver os problemas económicos do país
- A nova nobreza queria enriquecer obtenho novos cargos, mais terras e mão-de-obra para a agricultura
- O clero pretendia expandir a Fé cristã, combater os Muçulmanos e aumentar os seus rendimentos
- A burguesia pretendia aumentar os seus lucros e poder, procurando novos mercadores para o comércio
- O povo via a expansão como uma possibilidade de melhorar a vida, participando nas viagens, emigrando e beneficiando das baixas dos preços dos produtos que chegavam por mar.
A expansão portuguesa iniciou-se com D. João I. o infante D. Henrique, quem liderou o projeto de expansão do território por mar. D. Henrique foi viver para Lagos, onde se rodeou de cartógrafos, matemáticos, astrónomos e navegadores que o aconselhavam.
Razões que levaram os portugueses à conquista de Ceuta:
A importância de Ceuta como entreposto comercial onde os mercadores europeus se abasteciam de ouro, especiarias e produtos de luxo trazidos pelas caravanas de mercadores muçulmanos, através das rotas do Levante (rotas da seda, do ouro e das especiarias); a fertilidade dos solos em volta da cidade que permitia a produção de cereais;
A posição estratégica de Ceuta, no estreito de Gibraltar, que permitia o controlo das embarcações que entravam e saíam do Mediterrâneo;
A expansão da fé cristã;
O combate à pirataria muçulmana, que atacava com frequência os navios portugueses e a costa algarvia;
A conquista de outras cidades no Norte de África.
Ceuta parecia ser a resposta aos problemas económicos. A conquista da cidade foi liderada pelo próprio Rei D. João I. O domínio da cidade acabou por ser um fracasso económico. Os muçulmanos desviaram as suas rotas de comércio para outras cidades do Norte de África. A guerra passou a ser constante. Ceuta era uma cidade cristã rodeada de muçulmanos. A situação de guerra impedia o cultivo de cereais, afastava o comércio e obrigava a coroa portuguesa a grandes despesas militares para manter a cidade protegida. Levantou-se a hipótese de abandonar a cidade.
A continuação das conquistas de terras, no Norte de África, apoiada por parte da nobreza que podia dedicar-se à guerra e obter terras e títulos;
A exploração marítima ao longo da costa africana, defendida por outra parte da nobreza e pela burguesia.
3. A colonização e a exploração dos arquipélagos atlânticos
Foram utilizados diferentes processos de exploração e de colonização, como veremos. O Infante D. Henrique teve um papel fundamental no início da expansão portuguesa. A ele se devem muitas das viagens que se fizeram à costa africana entre 1415 e 1460 (data da sua morte). Os portugueses chegaram aos arquipélagos atlânticos. Madeira, Açores e Canárias, já apareciam assinalados em alguns mapas do século XIV. Alguns historiadores atribuem aos portugueses um reconhecimento oficial, uma (re)descoberta desse arquipélago. A descoberta oficial da Madeira foi feita por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, entre 1419 e 1420. Em 1427 Diogo Silves descobriu algumas ilhas do arquipélago dos Açores. Em 1452 foi conhecida a totalidade das ilhas. Tanto a Madeira como os Açores eram desabitados. Para poderem explorar estas ilhas e para impedir que países estrangeiros se apoderassem delas, foi necessário proceder-se à sua colonização, ou seja, povoar, desbravar e promover as terras.
Algarvios o Minhotos e alguns estrangeiros fixaram-se nas ilhas atlânticas. A colonização destes arquipélagos, fizeram-se aplicando o sistema de capitanias-donatárias, administradas por capitães-donatários. As capitanias, grandes extensões de terra ou mesmo uma ilha eram doadas a elementos da pequena nobreza que passavam a ter o poder de administrar a justiça, cobrar impostos e distribuir terras aos povoadores que as quisessem trabalhar (um feudo). A riqueza natural das ilhas levou ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Na Madeira cultivavam-se cereais, vinha e cana-de-açúcar. Nos Açores desenvolveu-se a criação de gado, o cultivo de cereais e de plantas tintureiras (pastel e urzela).
4. A Costa africana e política de D. Afonso V
O objetivo das viagens marítimas no início do século XV era a exploração da costa africana, para chegar aos locais de produção do ouro e controlar o comércio nesta região. A costa ocidental africana era conhecida até ao Cabo Bojador. Dizia-se que aí ficava o “fim do mundo”, e o mar tenebroso povoado de monstros. Em 1434 o navegador Gil Eanes conseguiu passar além do Cabo Bojador.
As viagens de exploração da costa africana continuaram:
- Em 1436, os portugueses chegaram ao que pensaram ser, e por isso chamaram, o Rio do Ouro e descobriram a Guiné;
- Em 1443, chegaram À cidade de Arguim, onde construíram uma feitoria;
- Em 1456, descobriram o arquipélago de Cabo Verde.
Quando o Infante D. Henrique morreu eram conhecidas as terras da costa africana
À Serra Leoa.
Em 1460 as viagens abrandaram. D. Afonso V não se interessou muito pela expansão marítima, preferindo investir nas conquistas do Norte de África. As cidades de Alcácer Ceguer, Arzila e Tanger foram conquistadas (por esta ordem) em 1458 e 1471. Contudo, a pressão dos muçulmanos sobre estas cidades e sobre Ceuta continuam. Tornou-se um pesado encargo militar para os portugueses. A exploração da costa africana foi arrendada a um mercador, Fernão Gomes, em troca do pagamento de uma renda, explorava as riquezas dos territórios da costa africana. Para além do ouro, os portugueses passaram a ter acesso a outras riquezas, como o marfim e a malagueta e desenvolveram tráfico de escravos. O contrato de Fernão Gomes durou de 1469 a 1475. D. João II resolveu tomar a seu cargo a expansão marítima.
5. A política expansionista de D. João II
D. João II subiu ao trono em 1481, era responsável pelas viagens da expansão desde 1474. Principal objetivo era atingir a India por mar, contornando Africa. Empreendeu diversas viagens:
As de Diogo Cão, que, em 1482 – 83 atingiu a foz do rio Zaire;
As de Bartolomeu Dias, que em 1487-88 dobrou o cabo das tormentas (cabo da boa esperança).
O cabo das tormentas passou a chamar-se cabo da boa esperança pelas possibilidades que abriu. A descoberta do caminho marítimo para a India só viria a ser alcançada anos mais tarde, no reinado de D. Manuel.
Portugal foi o primeiro pais Europeu a empreender a expansão por mar, mas, logo a seguir, Castela também iniciou as suas viagens marítimas. Para solucionar, estas rivalidades, foi assinado em 1479, o Tratado das Alcáçovas, segundo o qual Portugal ficava com o controlo do atlântico Africano e Castela com o domínio das Canárias e a conquista do reino de Granada. Em 1492, o navegador Cristóvão Colombo, ao serviço dos reis de Espanha, iniciou uma viagem para atingir a India navegando por ocidente. Nesta viagem chegou a um território, a América. D. João II, invocando o anterior tratado, reclamou essas terras para Portugal. Castela recusava-se a entrega-las por terem sido terras descobertas pela coroa castelhana. Foi pedido ao Papa que solucionasse o problema. Em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas. Estre tratado pôs em prática a ideia do Mare Clausum, dividindo o mundo em duas partes, um meridiano de polo a polo situado a 370 léguas de Cabo Verde. As terras, descobertas ou a descobrir, situadas a ocidente desse meridiano seriam de Castela, as situadas a oriente, ficariam para Portugal.
Definições e curiosidades
Quais foram as razões que conduziram os portugueses á expansão?
- Navegação astronómica
- Astrolábio
- Quadrante
- Cartografia
- Portulanos
- Cruzadas
Descobrimentos: ações pacíficas, com base em interesses económicos, geográficos e científicos, dizem respeito à costa africana, á passagem para o Indico, à costa americana. No início são da responsabilidade do D. Infante Henrique.
Expansão: ações de conquista, podem implicar o uso da força militar, com base em interesses económicos e políticos estratégicos (colonização), diz respeito às cidades do Norte de África, à India e ao Oriente, à América do Sul. É da responsabilidade da Coroa Portuguesa.
Quais foram as motivações que conduziram os portugueses à conquista de Ceuta?
Como foram colonizados os arquipélagos atlânticos?
- Colonização
- Capitanias
- Capitães donatários
Expansão :
Ceuta/1415 (D. João I) + Tânger/1437 (D. Duarte)
- Rivalidade com Castela
D. Pedro 1439 – 1448
D. Afonso V 1448-1481 = Alcácer Ceguer 1458
D. Afonso V: Arzila e Tânger 1471
D. João II à1481
1492 à Conquista de Granada
1492-93 àViagem de Cristóvão Colombo
1493 àPapa Alexandre VI – Castela domina o Atlântico 100 Léguas a partir do ocidente
1494 à Tratado de Tordesilhas
1495 à Morte do rei D. João II
Descobrimentos :
1419 à Madeira, Porto Santo (árvores tintureiras)
1424 à Canárias
1427 à Açores = Flores e Corvo em 14521422 A 1434 à Cabo Bojador (15 expedições) = Gil Eanes
1441 à Cabo Branco = Nuno Tristão
1443 à Arguim = primeiro resgate = Primeiro ouro em Pó = monopólio de D. Henrique
1444 à Cabo Verde = Dinis Dias
1446 à Rio Gâmbia = Estevão Afonso
1448 à Passa a ser proibido tomar escravos, só comprá-los
1445 à Papa Nicolau V reconhece-nos o domínio de todas as terras conquistadas (tratado das Alcáçovas)
1456 à Ilhas de Cabo Verde = Luís de Cadamosto
1460 à Serra Leoa = Pedro de Sintra = D. Henrique morre
1471 à Costa do Marfim e Fernão Pó, São Tomé e Príncipe
1474 à Cabo de Sta. Catarina = Rui de Sequeira
1475 – 1482 à Paragem devido ao Equador
1482 à Foz do Rio Zaire – Diogo Cão= padrão de S. Jorge
1485 à Serra Parda = Diogo Cão
1487à Viagens de Pêro da Covilhã e Afonso Paiva
1487-88 à Bartolomeu Dias = Cabo da Boa Esperança
Surto da expansão Portuguesa
Condições humanas favoráveis:
Sociais (a nova sociedade pós-1385)
Geográficas (localização e tradição marítima dos portugueses)
Técnicas (progressos na ciência e técnicas náuticas: embarcações, instrumentos, cartografia,…)
Motivações económicas:
Carência de cereais, ouro, escravos, plantas tintureiras, especiarias, …
Motivações religiosas:
Combater os muçulmanos
Espalhar a Fé
Rumo Atlântico:
Madeira
Açores
Rumo Norte de África:
Ceuta
Outras praças marroquinas
Rumo Atlântico Sul:
Exploração da costa ocidental africana
India
Brasil
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