sexta-feira, 11 de maio de 2012

Textos do renascimento


“Valorização da cultura

O Mundo volta a si como se desperta-se de um grande sono. Contudo ainda há quem resista (…) temem que, se as letras antigas renascerem e o mundo se tornar culto, venha a demonstrar-se que nada sabiam. (…) Ignoram que a história da antiguidade é rica em exemplos de verdadeira sabedoria.

Erasmo de Roterdão, cartas, 1427”

“Lourenço de Médicis valorizou sempre os grandes génios, particularmente os nobres dotados para as artes. (…) Àqueles demasiado pobres (…) assegurava os meios de vida e vestuário e concedia grandes recompensas aos que, entre eles, realizam osa melhores trabalhos.



G. Vasari, vidas, 1555-1568”

“Disse Deus ao homem: coloquei-te no centro do mundo, para que possas olhar á tua volta, e ver o que o mundo contém. Não te fiz celestial nem terreno, mortal nem imortal, puderas tu próprio escolher o teu caminho. Pela tua vontade poderás tornar-te um bruto irracional ou podes alcançar uma elevada perfeição, quase divina

Picco della Mirandolla, A Dignidade do Homem, 1486”

“O homem ideal do renascimento

P1: Meu filho (…) quero que aprendas perfeitamente línguas, primeiro o grego e depois o latim e o hebreu, para conhecimento das Sagradas Escrituras, e ainda o caldeu e o árabe. Tens de formar um estilo, no grego para imitar Platão, no latim para imitar Cícero. Deves conhecer história universal, geometria, música e astronomia. Deves saber de cor os belos textos de direito civil para os comparares com filosofia. (…) Deves estudar o novo testamento e as epistolas, em grego, e o antigo testamento em hebreu

Rebelais, Carta Gargântua a Pantagruel, 1532



P2: Que o cortesão seja, além de nobre, um homem de bem, isto é, prudente, bom, corajoso, confiante, belo e elegante (…) que o prefeito homem da corte seja alegre, saiba jogar, dançar, saltar e correr, que se mostre homem de espirito e seja discreto. Deve conhecer não só o latim mas também o grego (…). Deve saber escreverem e em prosa. Louvá-lo-ei também se souber línguas estrangeiras, principalmente espanhol e francês, que estão muito divulgadas em Itália. Precisa igualmente de saber musica, não só ler a partitura, mas também tocar vários instrumentos.(…) Devera cultivar a arte do desenho e da pintura.

Baltazar Castiglione, O Cortesão, 1528”

“A valorização da experiencia

(Outros autores antigos) disseram as partes da equinocial eram inabitáveis pela muito grande quentura do Sol. De onde parece que segundo sua tensão aquela tórrida zona por esta causa se ano podia navegar, pois que a fortaleza do sol impedia ai não haver habitação de gente. Ora, tudo isto é falso (…) e como quer que a experiencia é madre das causas

Duarte Pacheco Pereira, Esmeraldo de situ bitus, 1506”

“A teoria heliocêntrica

Após longas pesquisas, estou enfim convencido de que: o sol é uma estrela fixa, cercada de planetas que giram á sua volta, e de que ele é o centro, a fonte de luz e calor. (…) A terra é um planeta principal, sujeito (…) a moimentos (…) de rotação (…) em volta do seu eixo, e de translação à volta do sol.

Nicolau Copérnico, Os Movimentos dos Corpos Celestes, 1543”

“Acima de tudo, o reconhecimento de uma escultura renascentista é feito procurando os motivos de fundo que ela se inspira. Esses motivos são: um acentuado naturalismo, ou seja, uma constante procura de verosimilhança; um forte interesse pelo homem, pela forma do seu corpo (…) e, finalmente o recurso a esquemas compositivos – quer dizer, a formas globais – geometricamente simples.

Flavio Conti, Como Reconhecer a Arte do Renascimento, edições 70, Lisboa, 1991”

“Vemos os padres apresentarem-se vestidos de finíssimo pano inglês, gorro na cabeça, dedos cheios de anéis preciosos, cavalgando soberbamente, seguidos de numerosa criadagem, vestida de vivas cores. Constroem magníficos palácios, regalam-se em faustosos banquetes (…) e gastam quantias enormes em cavalos raros, cães e falcoes de caça.

J. Butzbach, meados do seculo XV”

“As indulgências

“Logo que o dinheiro soe na caixa a alma é libertada do fogo.” Prometia João Tetzel, o pregador de indulgências, em nome da Igreja. Bastava uma esmola para libertar do fogo do Inferno não só a alma de quem dava, mas também a de alguém já morto, as almas voariam de imediato para o Paraíso. As pessoas que viviam com medo da morte e com o perigo da peste à sua volta acreditavam realmente que, ao comprarem as indulgências, compravam também uma vida após da morte em que o sofrimento estaria ausente (…). O negócio das indulgências trazia, assim, grandes proveitos para a igreja e contra ele se insurgiram os humanistas.

História da vida quotidiana, Selecções Reader’s Diggest, 1993”

“As críticas de Lutero

Porque é que o papa, que tem hoje saco mais cheio do que o dos mais ricos, ao menos não constrói a Basílica de S. Pedro com os seus próprios rendimentos, em vez de o fazer com o dinheiro dos seus pobres fiéis? As indulgências, cujo mérito é tao apregoado, só têm um: o de renderem dinheiro. Serão eternamente condenados aqueles que ensinam e que pensam que as indulgencias trazem a salvação. Todo o cristão verdadeiramente contrito tem direito à remissão completa do castigo e do pecado, mesmo sem indulgências. E necessário ensinar aos cristãos que aquele que dá aos pobres ou empresta aos necessitados faz melhor do que comprar indulgências.

Lutero, 95 teses contra as indulgências, 1517”



“O acto de supremacia

O rei é o único chefe supremo da igreja de Inglaterra (…). Nesta qualidade, o rei tem poder de examinar, reprimir, emendar tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidades que devem ou podem ser reformados legalmente pela autoridade espiritual, a fim de garantira paz, a unidade e a tranquilidade do reino.

Do Acto de Supremacia, 1534”

“A expansão do Luteranismo

Lutero apelou a muitos grupos na Alemanha por diferentes razões. Alguns concordavam sinceramente com ele e acreditavam que a sua doutrina era a verdadeira versão do Cristianismo. Outros viram no Protestantismo vantagens políticas e sociais. Porque Lutero e os seus seguidores protestavam contra o Catolicismo.

Peter Stearns, Documents in World History, Longman Publishers, 2002

“O Concílio de Trento

[O Santo Concilio] ordena que, nas coisas da fé e dos costumes pertencentes á doutrina cristã, ninguém tenha a audácia de desviar a Escritura do sentido que lhe deu a Santa Madre Igreja, a quem pertence determinar o sentido verdadeiro e a interpretação das Sagradas Escrituras. (…) O santo concilio exorta os bispos a que sejam irrepreensíveis, castos e bons governantes das suas casas…; que cada um, à sua mesa, guarde sobriedade nas carnes, fuja dos vícios e siga as virtudes

Conclusões do Concilio de Trento (1563), em A. Theiner, Acta Genuína Concilii Tridentini”

“Cada qual deve convencer-se de que aqueles que vivem na obediência deverão deixar-se guiar pela vontade da Divina Providencia, por intermédio dos seus superiores, como um cadáver que se deixa voltar e manejar em todos os sentidos… aquele que obedece desta maneira deve cumprir com contentamento de espirito tudo o que o superior lhe ordena, para bem de todos, convencido de que deste modo corresponderá melhor à vontade de Deus do que seguindo a sua própria vontade.

Das Constituições da Companhia de Jesus

“A Inquisição

Pela inquisição procurar-se-á todos os que afastam da via do Senhor e da Fé Católica, assim como os suspeitos de heresia, com os seus discípulos e cúmplices… os culpados serão presos e perseguidos até á leitura da sentença final. Os que forem reconhecidos como culpados serão punidos com castigos canónicos. Os bens daquele que for condenado à morte serão vendidos. Os inquisidores poderão recorrer ao poder político para executar as medidas decretadas.

                                                           Paulo III, Actos Pontifícios (Século XXVI), em Lés Memoires de L’Éurope

“A Perseguição aos judeus

Os judeus, mercadores de longa data e quase sempre bem-sucedidos, eram os únicos a comercializar o Oriente muçulmano. O monopólio que estabeleceram sobre certos produtos e a proibição de investirem os seus lucros e bens imoveis puseram nas sus mãos uma liquidez importante, da qual podiam dispor quando quisessem. Os poderes públicos decidiram tirar proveito disso (…). Foram incentivados a praticar a usura, o empréstimo com juros, uma actividade necessária e muito rentável, proibida aos cristãos. (…) Diante da crise económica sem precedentes que conturbou a Europa (…) a tentação de se livrar dos credores podia ser forte.

Anne Bernet, Judeus, em Historia Viva, Grandes Temas, 12, 2006

2 comentários:

  1. “Disse Deus ao homem: coloquei-te no centro do mundo, para que possas olhar á tua volta, e ver o que o mundo contém. Não te fiz celestial nem terreno, mortal nem imortal, puderas tu próprio escolher o teu caminho. Pela tua vontade poderás tornar-te um bruto irracional ou podes alcançar uma elevada perfeição, quase divina

    Picco della Mirandolla, A Dignidade do Homem, 1486”
    qual o significado deste excerto e qual a sua ligação com Leonardo Da Vici

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  2. este escerto refere-se ao antropocentrismo (O Homem está no centro do Universo).
    Picco della Mirandola não é Leonardo Da vinci...

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