sexta-feira, 11 de maio de 2012

Textos do renascimento


“Valorização da cultura

O Mundo volta a si como se desperta-se de um grande sono. Contudo ainda há quem resista (…) temem que, se as letras antigas renascerem e o mundo se tornar culto, venha a demonstrar-se que nada sabiam. (…) Ignoram que a história da antiguidade é rica em exemplos de verdadeira sabedoria.

Erasmo de Roterdão, cartas, 1427”

“Lourenço de Médicis valorizou sempre os grandes génios, particularmente os nobres dotados para as artes. (…) Àqueles demasiado pobres (…) assegurava os meios de vida e vestuário e concedia grandes recompensas aos que, entre eles, realizam osa melhores trabalhos.



G. Vasari, vidas, 1555-1568”

“Disse Deus ao homem: coloquei-te no centro do mundo, para que possas olhar á tua volta, e ver o que o mundo contém. Não te fiz celestial nem terreno, mortal nem imortal, puderas tu próprio escolher o teu caminho. Pela tua vontade poderás tornar-te um bruto irracional ou podes alcançar uma elevada perfeição, quase divina

Picco della Mirandolla, A Dignidade do Homem, 1486”

“O homem ideal do renascimento

P1: Meu filho (…) quero que aprendas perfeitamente línguas, primeiro o grego e depois o latim e o hebreu, para conhecimento das Sagradas Escrituras, e ainda o caldeu e o árabe. Tens de formar um estilo, no grego para imitar Platão, no latim para imitar Cícero. Deves conhecer história universal, geometria, música e astronomia. Deves saber de cor os belos textos de direito civil para os comparares com filosofia. (…) Deves estudar o novo testamento e as epistolas, em grego, e o antigo testamento em hebreu

Rebelais, Carta Gargântua a Pantagruel, 1532



P2: Que o cortesão seja, além de nobre, um homem de bem, isto é, prudente, bom, corajoso, confiante, belo e elegante (…) que o prefeito homem da corte seja alegre, saiba jogar, dançar, saltar e correr, que se mostre homem de espirito e seja discreto. Deve conhecer não só o latim mas também o grego (…). Deve saber escreverem e em prosa. Louvá-lo-ei também se souber línguas estrangeiras, principalmente espanhol e francês, que estão muito divulgadas em Itália. Precisa igualmente de saber musica, não só ler a partitura, mas também tocar vários instrumentos.(…) Devera cultivar a arte do desenho e da pintura.

Baltazar Castiglione, O Cortesão, 1528”

“A valorização da experiencia

(Outros autores antigos) disseram as partes da equinocial eram inabitáveis pela muito grande quentura do Sol. De onde parece que segundo sua tensão aquela tórrida zona por esta causa se ano podia navegar, pois que a fortaleza do sol impedia ai não haver habitação de gente. Ora, tudo isto é falso (…) e como quer que a experiencia é madre das causas

Duarte Pacheco Pereira, Esmeraldo de situ bitus, 1506”

“A teoria heliocêntrica

Após longas pesquisas, estou enfim convencido de que: o sol é uma estrela fixa, cercada de planetas que giram á sua volta, e de que ele é o centro, a fonte de luz e calor. (…) A terra é um planeta principal, sujeito (…) a moimentos (…) de rotação (…) em volta do seu eixo, e de translação à volta do sol.

Nicolau Copérnico, Os Movimentos dos Corpos Celestes, 1543”

“Acima de tudo, o reconhecimento de uma escultura renascentista é feito procurando os motivos de fundo que ela se inspira. Esses motivos são: um acentuado naturalismo, ou seja, uma constante procura de verosimilhança; um forte interesse pelo homem, pela forma do seu corpo (…) e, finalmente o recurso a esquemas compositivos – quer dizer, a formas globais – geometricamente simples.

Flavio Conti, Como Reconhecer a Arte do Renascimento, edições 70, Lisboa, 1991”

“Vemos os padres apresentarem-se vestidos de finíssimo pano inglês, gorro na cabeça, dedos cheios de anéis preciosos, cavalgando soberbamente, seguidos de numerosa criadagem, vestida de vivas cores. Constroem magníficos palácios, regalam-se em faustosos banquetes (…) e gastam quantias enormes em cavalos raros, cães e falcoes de caça.

J. Butzbach, meados do seculo XV”

“As indulgências

“Logo que o dinheiro soe na caixa a alma é libertada do fogo.” Prometia João Tetzel, o pregador de indulgências, em nome da Igreja. Bastava uma esmola para libertar do fogo do Inferno não só a alma de quem dava, mas também a de alguém já morto, as almas voariam de imediato para o Paraíso. As pessoas que viviam com medo da morte e com o perigo da peste à sua volta acreditavam realmente que, ao comprarem as indulgências, compravam também uma vida após da morte em que o sofrimento estaria ausente (…). O negócio das indulgências trazia, assim, grandes proveitos para a igreja e contra ele se insurgiram os humanistas.

História da vida quotidiana, Selecções Reader’s Diggest, 1993”

“As críticas de Lutero

Porque é que o papa, que tem hoje saco mais cheio do que o dos mais ricos, ao menos não constrói a Basílica de S. Pedro com os seus próprios rendimentos, em vez de o fazer com o dinheiro dos seus pobres fiéis? As indulgências, cujo mérito é tao apregoado, só têm um: o de renderem dinheiro. Serão eternamente condenados aqueles que ensinam e que pensam que as indulgencias trazem a salvação. Todo o cristão verdadeiramente contrito tem direito à remissão completa do castigo e do pecado, mesmo sem indulgências. E necessário ensinar aos cristãos que aquele que dá aos pobres ou empresta aos necessitados faz melhor do que comprar indulgências.

Lutero, 95 teses contra as indulgências, 1517”



“O acto de supremacia

O rei é o único chefe supremo da igreja de Inglaterra (…). Nesta qualidade, o rei tem poder de examinar, reprimir, emendar tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidades que devem ou podem ser reformados legalmente pela autoridade espiritual, a fim de garantira paz, a unidade e a tranquilidade do reino.

Do Acto de Supremacia, 1534”

“A expansão do Luteranismo

Lutero apelou a muitos grupos na Alemanha por diferentes razões. Alguns concordavam sinceramente com ele e acreditavam que a sua doutrina era a verdadeira versão do Cristianismo. Outros viram no Protestantismo vantagens políticas e sociais. Porque Lutero e os seus seguidores protestavam contra o Catolicismo.

Peter Stearns, Documents in World History, Longman Publishers, 2002

“O Concílio de Trento

[O Santo Concilio] ordena que, nas coisas da fé e dos costumes pertencentes á doutrina cristã, ninguém tenha a audácia de desviar a Escritura do sentido que lhe deu a Santa Madre Igreja, a quem pertence determinar o sentido verdadeiro e a interpretação das Sagradas Escrituras. (…) O santo concilio exorta os bispos a que sejam irrepreensíveis, castos e bons governantes das suas casas…; que cada um, à sua mesa, guarde sobriedade nas carnes, fuja dos vícios e siga as virtudes

Conclusões do Concilio de Trento (1563), em A. Theiner, Acta Genuína Concilii Tridentini”

“Cada qual deve convencer-se de que aqueles que vivem na obediência deverão deixar-se guiar pela vontade da Divina Providencia, por intermédio dos seus superiores, como um cadáver que se deixa voltar e manejar em todos os sentidos… aquele que obedece desta maneira deve cumprir com contentamento de espirito tudo o que o superior lhe ordena, para bem de todos, convencido de que deste modo corresponderá melhor à vontade de Deus do que seguindo a sua própria vontade.

Das Constituições da Companhia de Jesus

“A Inquisição

Pela inquisição procurar-se-á todos os que afastam da via do Senhor e da Fé Católica, assim como os suspeitos de heresia, com os seus discípulos e cúmplices… os culpados serão presos e perseguidos até á leitura da sentença final. Os que forem reconhecidos como culpados serão punidos com castigos canónicos. Os bens daquele que for condenado à morte serão vendidos. Os inquisidores poderão recorrer ao poder político para executar as medidas decretadas.

                                                           Paulo III, Actos Pontifícios (Século XXVI), em Lés Memoires de L’Éurope

“A Perseguição aos judeus

Os judeus, mercadores de longa data e quase sempre bem-sucedidos, eram os únicos a comercializar o Oriente muçulmano. O monopólio que estabeleceram sobre certos produtos e a proibição de investirem os seus lucros e bens imoveis puseram nas sus mãos uma liquidez importante, da qual podiam dispor quando quisessem. Os poderes públicos decidiram tirar proveito disso (…). Foram incentivados a praticar a usura, o empréstimo com juros, uma actividade necessária e muito rentável, proibida aos cristãos. (…) Diante da crise económica sem precedentes que conturbou a Europa (…) a tentação de se livrar dos credores podia ser forte.

Anne Bernet, Judeus, em Historia Viva, Grandes Temas, 12, 2006

O Renascimento e a Contra-reforma


1.      O renascimento e a nova mentalidade:

Este movimento cultural deve o seu nome ao facto de se inspirarem as formas estéticas, literárias nas ideias e nos princípios que marcaram a mentalidade das civilizações gregas e romanas. O renascer da cultura clássica queria quebrar com a tradição medieval, onde se colocava deus no centro do universo e do pensamento – teocentrismo. Nova visão do mundo e do ser humano em que, sem abandonar a crença em deus, o homem passa a ser o centro do pensamento e das preocupações. Esta nova visão do mundo ficou conhecida por antropocentrismo (anthropos significa homem em grego). Iniciou-se nas repúblicas italianas mais prósperas da época, como Florença, Génova, Milão e Veneza.

Razoes para este facto acontecer:

- A presença, desde os finais da época medieval, de alguns escritores que já valorizavam os clássicos, como Dante, Petrarca e Bocaccio.

- A riqueza daquelas cidades italianas e a prática do mecenato que era comum entre os burgueses e os príncipes

- A presença na Itália de numerosos sábios gregos e bizantinos portadores da cultura clássica.

- A existência de importantes escolas artísticas e universidade

- A presença de muitos vestígios e monumentos romanos que inspiraram os artistas

O Renascimento estendeu-se ao resto da europa até Flandres, França, Espanha e Inglaterra.


2.     O humanismo, crítica social e a reprovação da ciência

A mentalidade renascimento caracterizou-se pela valorização do espirito humano e por uma atitude de individualismo, interesse pela redescoberta das obras artísticas e literárias da antiguidade clássica. Esta mentalidade ficou marcada pelo humanismo: novo conceito do mundo e da vida marcado pela valorização do homem e das suas capacidades, e baseado na cultura greco-latina.

Abertura face ao conhecimento e ao estudo de todas as áreas do saber.

Foi mascada por outras características tais como:

- O classicismo, principio que defende o regresso aos valores da antiguidade clássica, revivendo na literatura e na arte dos temas, as formas e os modelos clássicos.

- O individualismo, segundo o qual cada um deve viver intensamente a vida terrena, com um grande desejo de fama, gloria, e afirmação de cada individuo e das suas realizações.

- O espirito critico, principio que levava á recusa do saber livresco e do dogmatismo, atribuindo um grande valor á experiencia e á razão – tudo aquilo que não fosse comprovado pela experiencia e que a razão não pudesse compreender não deveria ser aceite como verdadeiro (são os primeiros passos no sentido no racionalismo que vai marcar os seculos XVII e XVIII)

A valorização da experiencia, abriu caminho a muitas descobertas, como a teoria heliocêntrica defendida por Copérnico.

O heliocentrismo pôs em causa os conhecimentos anteriores que diziam que a Terra era o centro do universo (geocentrismo). A teoria que Copérnico defendia dizia que a terra e os restantes planetas giravam em volta do sol. Para além da astronomia, desenvolveram-se também muitos conhecimentos na área das ciências naturais, na geografia e na medicina. Estabeleceu-se um ideal de homem que deveria ser simultaneamente poeta, um erudito e um guerreiro. Boa formação física, intelectual e física. Por exemplo Leonardo Da Vinci era assim.

O interesse pelo estudo da antiguidade clássica levou os humanistas à exploração dos seus vestígios. Traduziram e comentaram criticamente obras clássicas e escreveram outras imitando-as. Houve uma renovação literária o que levou a criar novas tendências na literatura e uma grande quantidade de obras editadas.

As criações dos humanistas foram divulgadas garças á imprensa. A imprensa produzia mais livros, mais livros e mais depressa, logo os livros ficavam mais acessíveis e mais baratos. Os contactos entre os intelectuais da época eram feitos através de correspondência e de viagens. Universidades e tipografias tornaram-se centros da difusão humanista.               

O humanismo estendeu-se por outras cidades da Europa como Paris, Roterdão, Oxford e Cambridge, Lovaina, Vitemberga, entre outras. As cidades e as respectivas regiões foram os principais focos do humanismo.

Em Portugal o humanismo atingiu o seu foco em XVI, verificando-se um cruzamento entre os conhecimentos resultantes das explorações marítimas com o movimento cultural europeu. A entrada das ideias humanistas em Portugal foi fomentada pelo envio de bolseiros para cidades europeias e pela vinda de estrangeiros promovidos por alguns reis nomeadamente D. João III. A difusão de ideias renascentistas foi dificultada pela inquisição, instituída em Portugal em 1536.



3.     A arte do renascimento

O movimento artístico renascentista nasceu em Florença, no seculo XV, espalhou-se por toda a Europa.

Os artistas dos seculos XV e XVI inspiraram-se na arte clássica com o objectivo de quebrar a tradição medieval o classicismo e uma das principais características da arte renascimento. Regressaram às formas da arte clássica (representação do nu e de temas mitológicos) com aplicação de novas técnicas de escultura e pintura. Vai também trazer valores humanísticos para a arte com o princípio clássico “O Homem é a medida de todas as coisas”, criando cânones e regras para a construção de edifícios, esculturas e pinturas.

Principais características da arquitectura:

·        Uso de arcos de volta perfeita

·        Utilização de cúpulas e de coberturas em abóboda de berço

·        A aplicação de frontões nas fachadas

·        O uso de colunas com capitéis clássicos (ordens dórica, jónica e coríntia)

·        O uso de cornijas e balaústres a coroar os terraços

·        A impressão de horizontalidade nas construções

A escultura renascentista inspirou-se nos modelos clássicos, representando o corpo humano com rigor anatómico, graças aos estudos desenvolvidos da época. Revelaram gosto pela harmonia e pelo realismo. A escultura já não era apenas um elemento decorativo, passou a ter valor por si própria.


Principais características da escultura:

-o naturalismo e o realismo – as figuras são representadas o mais semelhante possível á realidade

-a expressividade das figuras representadas

-a monumentalidade – as esculturas podem atingir grandes dimensões mas respeitam sempre as proporções do corpo humano (os cânones)

-os esquemas compositivos baseados na geometria (as esculturas inserem-se em formas geométricas)

O Renascimento foi um dos períodos mas ricos da pintura, aplicando novas técnicas e novas formas da representação da realidade.

Principais características da pintura:

- Aplicação de novas técnicas como a pintura a óleo, inventada pelos pintores da Flandres

- Representação da terceira dimensão (profundidade) através da técnica da perspectiva

- Aplicação de técnica do “sfumato”, que, através da gradação das cores e dos efeitos da luz e sombra, permitia representar com maior rigor o que estava mais próximo, envolvendo numa espécie de nevoa as figuras mais afastadas

- Realismo e naturalidade das figuras representadas

Os principais temas da pintura eram as cenas da mitologia clássica, temas religiosos, por causa do individualismo e do mecenato, a pintura de retratos.

4.     A reforma protestante

Nos seculos XV e XVI, a igreja atravessou uma crise que abalou a força e prestigio que mantinha há seculos. Razões de disputas pelo poder político, por isso foram eleitas dois papas, um em Avinhão e outro em Roma. Este período ficou conhecido como Grande Cisma do Oriente e enfraqueceu o poder da igreja católica. O avanço dos conhecimentos científicos e o espirito critico dos humanistas contribuiu para desenvolver o movimento de contestação à igreja, alertando para diversos problemas como:

-interferência da igreja e dos papas em assuntos políticos

-comportamento de muitos membros do clero, que levavam uma vida imoral, de luxo e de corrupção, que contrastava com os princípios defendidos pelo Cristianismo e por algumas ordens religiosas.

            -falta de vocação de algumas pessoas que ocupavam cargos do alto clero.

            Já no século XIV, algumas pessoas tinham liderado movimentos de contestação à imoralidade e luxo do clero, tendo sido excomungados. João Huss foi condenado á morte na fogueira, o mesmo aconteceu a Savonarola, por ter criticado o comportamento imoral do Papa Alexandre VI.

            Alguns humanistas, atentos a esta situação, alertaram para a necessidade de reformar a igreja.

            O Papa Leão X, para conseguir dinheiro para acabar a construção da Catedral de S. Pedro, por isso publicou a Bula das Indulgencias. Tratava-se de um documento assinado pelo Papa, no qual, em troca de pagamento, era perdoada a penitência devida pelos pecados cometidos.

            Martinho Lutero, monge alemão da cidade de Vitemberga, afixou um texto na porta da catedral da sua cidade, uma lista com 95 teses contra as indulgências. Defendendo que cabia a Deus e não ao papa de perdoar os pecados cometidos. Lutero foi excomungado, queimou o documento que isso o afirmava em público e só não foi queimado na fogueira porque os príncipes Alemães o protegeram.

            Lutero deu início a um movimento a que se chamou Reforma Protestante.

            Lutero criou uma nova igreja chamada Igreja Luterana, cujos princípios são:

·        A salvação obtém-se pela fé, pela crença em Cristo e na sua palavra

·        A única fonte de fé é a Bíblia

·        Os únicos sacramentos aceites são o Baptismo e a eucaristia

·        Recusa a autoridade do papa

·        Não exige o celibato

·        O príncipe (ou o rei) é o chefe da igreja luterana

O luteranismo surgiu na Alemanha, iniciou um movimento de contestação e reforma que ficou conhecido por Protestantismo.
<><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><> <><><><>

Martinho Lutero - luteranos

João Calvino - Calvinistas

Henrique VIII - Anglicanos

Bíblia como fonte de fé

Salvação pela fé

Celibato no clero não é obrigatório

Rejeição da autoridade do Papa

Sacramentos: Baptismo e Eucaristia

Culto: leitura da Bíblia, Sermão e eucaristia

 ----

Salvação pela fé e predestinação

 ----

 ---

 ----

 -------

 -----

 ------

Rejeição á autoridade do papa (o rei é o chefe da Igreja)

 ------

Culto: supressão da missa mas mantendo a pomposidade das cerimónias
---------
A contra-reforma católica
            Graças ao avanço do protestantismo a igreja católica iniciou um movimento que assumiu 2 vertentes:
            - A Reforma Católica, um movimento de renovação interna iniciado com o concilio de Trento (que durou 15 anos – 1545_1563) e com a criação de novas ordens religiosas, com a Companhia de Jesus.
            - A contra-reforma, um movimento de combate às ideias protestantes e a todas as formas de heresia, o qual teve como principais meios a Inquisição e o Índex.
            O Papa Paulo III, reuniu o concilio de Trento para analisar as criticas que eram feita à igreja católica e debater os problemas que afectavam a instituição. Os cardeais e os bispos reunidos no concilio optaram por não fazer grandes mudanças. Foram reafirmados os dogmas de fé católica, reforçado o culto aos Santos e à virgem Maria e mantidos os sete sacramentos.
Reformar os costumes do clero e a organização da igreja:
- Foram criados seminários para melhorar a formação dos membros do clero.
- Foi proibida a acumulação de cargos e os bispos e sacerdotes foram obrigados a residirem nas suas dioceses.
- Foi mantida a exigência do celibato
- Foi defendida a organização de grandes cerimónias de culto para tentar atrair mais seguidores
- Foram construídas ou renovadas Igrejas com decorações ricas e faustosas para cativarem os fiéis
Criação de novas ordens religiosas que se caracterizam por uma forte disciplina exigida aos seus membros. Como por exemplo a Companhia de Jesus (jesuítas), fundada em 1540 por Inácio Loyola.
Os principais objectivos da companhia de Jesus eram a pregação e o ensino. Tiveram um papel importante na evangelização dos povos indígenas das terras além-mar.
Dirigiu vários colégios e universidades um pouco pro toda a Europa.
A igreja católica tentou travar o protestantismo, desenvolvendo para isso movimento de reforma interna no concilio de Trento e contando com a companhia de Jesus para catequisar a população. Desenvolveu também um movimento de Contra-reforma, que ficou marcado pela Inquisição. A inquisição já existia no século XII por causa da heresia e de bruxaria mas restabeleceram-na no século XVI para travar o avanço do protestantismo.  
Tratava-se de um tribunal eclesiástico – o Santo Oficio – coordenado por um grupo de 6 cardeais e chefiado pelo Papa.


O que significa renascimento?
®     Renascimento
®     Mecenato
®     Classicismo
®     Humanismo
®     Antropocentrismo
®     Espirito critico
®     Naturalismo
®     Heliocentrismo
®     Experiencialismo
®     Individualismo
®     Racionalismo
O que significa a Refirma Protestante?
®     Reforma
®     Luteranismo
®     Protestante
®     Anglicanismo
®     Calvinismo
Quais são as características da contra-reforma?
®     Concilio de Trento (1545-1563)
®     Inquisição
®     Índex
®     Companhia de Jesus
®     Cristãos-novos
®     Judeus


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Descobrimentos Portugueses

1.    As condições da prioridade portuguesa nos Descobrimentos

Estávamos motivados para apoiar o projeto da expansão, mas não bastava haver vontade, eram necessárias condições. XV, reunis um conjunto de condições que lhe permitiam ser o primeiro país europeu a iniciar expansão marítima. As principais condições que permitiram a prioridade portuguesa no processo dessa expansão foram:

A Estabilidade política e o clima de paz que se estabeleceu em Portugal;

A situação geográfica do país, com uma extensa costa marítima, aberta ao oceano Atlântico e com bons portos;

A tradição na prática de atividades ligadas ao mar, como a pesca e comércio marítimo ao longo da costa e com países do Norte da Europa;

O apoio régio dado, desde o século XIII, à atividade marítima e à construção naval com iniciativas como a fundação da bolsa de mergulhadores (1293) e da companhia das naus (1377);

A permanência no território de muçulmanos e judeus, que permitiram aos portugueses o contacto com técnicas e instrumentos de navegação já utilizados por outros povos no Oriente.

A experiência nas atividades ligadas ao mar e os conhecimentos de ciência náutica trazidos pelos muçulmanos. Planear viagens marítimas. Instrumentos já utilizados por outros povos, como bússola, foram adaptados e aperfeiçoados à navegação em mar alto.

            A navegação astronómica, que permitia aos marinheiros orientarem-se através dos astros utilizando instrumentos como a bússola, o quadrante, o astrolábio, e balestilha. Para definirem as suas rotas usavam cartas de marear e portulanos.

A construção da caravela pelo aperfeiçoamento das embarcações, aplicando a vela triangular e o leme central que permitiam bolinar.

2.   As motivações co início da expansão e a conquista de Ceuta

No início do século XV, a Europa estava a tentar recuperar de uma situação de crise. Os Europeus iniciaram um processo de expansão, procurando soluções além-mar para superarem a crise. Queriam resolver problemas como:

            - Falta de cereais

            - Falta de ouro para cunhar moeda, necessária para dinamizar o comércio

            - Falta de matérias-primas e de mão-de-obra para a produção agrícola e manufatureira

O ouro que abastecia os mercados europeus vinha do interior de África, através de Marrocos. O objetivo dos europeus, e dos portugueses em particular, era chegar á origem destes produtos e controlar a sua comercialização.

            A expansão marítima foi entendida como um projeto nacional, envolvendo todos os grupos da sociedade portuguesa:

            - O rei, D. João I, representando a nova dinastia de Avis, desejava afirmar o seu poder e grandeza face às outras nações e resolver os problemas económicos do país

            - A nova nobreza queria enriquecer obtenho novos cargos, mais terras e mão-de-obra para a agricultura

            - O clero pretendia expandir a Fé cristã, combater os Muçulmanos e aumentar os seus rendimentos

            - A burguesia pretendia aumentar os seus lucros e poder, procurando novos mercadores para o comércio

            - O povo via a expansão como uma possibilidade de melhorar a vida, participando nas viagens, emigrando e beneficiando das baixas dos preços dos produtos que chegavam por mar.

A expansão portuguesa iniciou-se com D. João I. o infante D. Henrique, quem liderou o projeto de expansão do território por mar. D. Henrique foi viver para Lagos, onde se rodeou de cartógrafos, matemáticos, astrónomos e navegadores que o aconselhavam.

A expansão portuguesa foi marcada por diferentes rumos e etapas, interesses políticos e sociais. Istro fez com que a expansão revestisse a forma ora de conquistas, ora de descobertas. Ceuta era dominada pelos muçulmanos, foi a primeira cidade a ser conquistada, em 1415. E isto foi início da expansão portuguesa.



Razões que levaram os portugueses à conquista de Ceuta:

A importância de Ceuta como entreposto comercial onde os mercadores europeus se abasteciam de ouro, especiarias e produtos de luxo trazidos pelas caravanas de mercadores muçulmanos, através das rotas do Levante (rotas da seda, do ouro e das especiarias); a fertilidade dos solos em volta da cidade que permitia a produção de cereais;

A posição estratégica de Ceuta, no estreito de Gibraltar, que permitia o controlo das embarcações que entravam e saíam do Mediterrâneo;

A expansão da fé cristã;

O combate à pirataria muçulmana, que atacava com frequência os navios portugueses e a costa algarvia;

A conquista de outras cidades no Norte de África.

Ceuta parecia ser a resposta aos problemas económicos. A conquista da cidade foi liderada pelo próprio Rei D. João I. O domínio da cidade acabou por ser um fracasso económico. Os muçulmanos desviaram as suas rotas de comércio para outras cidades do Norte de África. A guerra passou a ser constante. Ceuta era uma cidade cristã rodeada de muçulmanos. A situação de guerra impedia o cultivo de cereais, afastava o comércio e obrigava a coroa portuguesa a grandes despesas militares para manter a cidade protegida. Levantou-se a hipótese de abandonar a cidade.

A continuação das conquistas de terras, no Norte de África, apoiada por parte da nobreza que podia dedicar-se à guerra e obter terras e títulos;

A exploração marítima ao longo da costa africana, defendida por outra parte da nobreza e pela burguesia.

         

3. A colonização e a exploração dos arquipélagos atlânticos

Foram utilizados diferentes processos de exploração e de colonização, como veremos. O Infante D. Henrique teve um papel fundamental no início da expansão portuguesa. A ele se devem muitas das viagens que se fizeram à costa africana entre 1415 e 1460 (data da sua morte). Os portugueses chegaram aos arquipélagos atlânticos. Madeira, Açores e Canárias, já apareciam assinalados em alguns mapas do século XIV. Alguns historiadores atribuem aos portugueses um reconhecimento oficial, uma (re)descoberta desse arquipélago. A descoberta oficial da Madeira foi feita por João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, entre 1419 e 1420. Em 1427 Diogo Silves descobriu algumas ilhas do arquipélago dos Açores. Em 1452 foi conhecida a totalidade das ilhas. Tanto a Madeira como os Açores eram desabitados. Para poderem explorar estas ilhas e para impedir que países estrangeiros se apoderassem delas, foi necessário proceder-se à sua colonização, ou seja, povoar, desbravar e promover as terras.

Algarvios o Minhotos e alguns estrangeiros fixaram-se nas ilhas atlânticas. A colonização destes arquipélagos, fizeram-se aplicando o sistema de capitanias-donatárias, administradas por capitães-donatários. As capitanias, grandes extensões de terra ou mesmo uma ilha eram doadas a elementos da pequena nobreza que passavam a ter o poder de administrar a justiça, cobrar impostos e distribuir terras aos povoadores que as quisessem trabalhar (um feudo). A riqueza natural das ilhas levou ao desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Na Madeira cultivavam-se cereais, vinha e cana-de-açúcar. Nos Açores desenvolveu-se a criação de gado, o cultivo de cereais e de plantas tintureiras (pastel e urzela).



4. A Costa africana e política de D. Afonso V

O objetivo das viagens marítimas no início do século XV era a exploração da costa africana, para chegar aos locais de produção do ouro e controlar o comércio nesta região. A costa ocidental africana era conhecida até ao Cabo Bojador. Dizia-se que aí ficava o “fim do mundo”, e o mar tenebroso povoado de monstros. Em 1434 o navegador Gil Eanes conseguiu passar além do Cabo Bojador.

As viagens de exploração da costa africana continuaram:

            - Em 1436, os portugueses chegaram ao que pensaram ser, e por isso chamaram, o Rio do Ouro e descobriram a Guiné;

            - Em 1443, chegaram À cidade de Arguim, onde construíram uma feitoria;

            - Em 1456, descobriram o arquipélago de Cabo Verde.

Quando o Infante D. Henrique morreu eram conhecidas as terras da costa africana

À Serra Leoa.

Em 1460 as viagens abrandaram. D. Afonso V não se interessou muito pela expansão marítima, preferindo investir nas conquistas do Norte de África. As cidades de Alcácer Ceguer, Arzila e Tanger foram conquistadas (por esta ordem) em 1458 e 1471. Contudo, a pressão dos muçulmanos sobre estas cidades e sobre Ceuta continuam. Tornou-se um pesado encargo militar para os portugueses. A exploração da costa africana foi arrendada a um mercador, Fernão Gomes, em troca do pagamento de uma renda, explorava as riquezas dos territórios da costa africana. Para além do ouro, os portugueses passaram a ter acesso a outras riquezas, como o marfim e a malagueta e desenvolveram tráfico de escravos. O contrato de Fernão Gomes durou de 1469 a 1475. D. João II resolveu tomar a seu cargo a expansão marítima.

5. A política expansionista de D. João II

D. João II subiu ao trono em 1481, era responsável pelas viagens da expansão desde 1474. Principal objetivo era atingir a India por mar, contornando Africa. Empreendeu diversas viagens:

As de Diogo Cão, que, em 1482 – 83 atingiu a foz do rio Zaire;

As de Bartolomeu Dias, que em 1487-88 dobrou o cabo das tormentas (cabo da boa esperança).

O cabo das tormentas passou a chamar-se cabo da boa esperança pelas possibilidades que abriu. A descoberta do caminho marítimo para a India só viria a ser alcançada anos mais tarde, no reinado de D. Manuel.

Portugal foi o primeiro pais Europeu a empreender a expansão por mar, mas, logo a seguir, Castela também iniciou as suas viagens marítimas. Para solucionar, estas rivalidades, foi assinado em 1479, o Tratado das Alcáçovas, segundo o qual Portugal ficava com o controlo do atlântico Africano e Castela com o domínio das Canárias e a conquista do reino de Granada. Em 1492, o navegador Cristóvão Colombo, ao serviço dos reis de Espanha, iniciou uma viagem para atingir a India navegando por ocidente. Nesta viagem chegou a um território, a América. D. João II, invocando o anterior tratado, reclamou essas terras para Portugal. Castela recusava-se a entrega-las por terem sido terras descobertas pela coroa castelhana. Foi pedido ao Papa que solucionasse o problema. Em 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas. Estre tratado pôs em prática a ideia do Mare Clausum, dividindo o mundo em duas partes, um meridiano de polo a polo situado a 370 léguas de Cabo Verde. As terras, descobertas ou a descobrir, situadas a ocidente desse meridiano seriam de Castela, as situadas a oriente, ficariam para Portugal.

Definições e curiosidades

Quais foram as razões que conduziram os portugueses á expansão?

            - Navegação astronómica

            - Astrolábio

            - Quadrante

            - Cartografia

            - Portulanos

            - Cruzadas

Descobrimentos: ações pacíficas, com base em interesses económicos, geográficos e científicos, dizem respeito à costa africana, á passagem para o Indico, à costa americana. No início são da responsabilidade do D. Infante Henrique.

Expansão: ações de conquista, podem implicar o uso da força militar, com base em interesses económicos e políticos estratégicos (colonização), diz respeito às cidades do Norte de África, à India e ao Oriente, à América do Sul. É da responsabilidade da Coroa Portuguesa.

Quais foram as motivações que conduziram os portugueses à conquista de Ceuta?

Como foram colonizados os arquipélagos atlânticos?

            - Colonização

            - Capitanias

            - Capitães donatários

Expansão :

Ceuta/1415 (D. João I) + Tânger/1437 (D. Duarte)

                                      - Rivalidade com Castela

D. Pedro 1439 – 1448

D. Afonso V 1448-1481 = Alcácer Ceguer 1458

D. Afonso V: Arzila e Tânger 1471

D. João II à1481

1492 à Conquista de Granada

1492-93 àViagem de Cristóvão Colombo

1493 àPapa Alexandre VI – Castela domina o Atlântico 100 Léguas a partir do ocidente

1494 à Tratado de Tordesilhas

1495 à Morte do rei D. João II

Descobrimentos :

1419 à Madeira, Porto Santo (árvores tintureiras)

1424 à Canárias

1427 à Açores = Flores e Corvo em 14521422 A 1434 à Cabo Bojador (15 expedições) = Gil Eanes

1441 à Cabo Branco = Nuno Tristão

1443 à Arguim = primeiro resgate = Primeiro ouro em Pó = monopólio de D. Henrique

1444 à Cabo Verde = Dinis Dias

1446 à Rio Gâmbia = Estevão Afonso

1448 à Passa a ser proibido tomar escravos, só comprá-los

1445 à Papa Nicolau V reconhece-nos o domínio de todas as terras conquistadas (tratado das Alcáçovas)

1456 à Ilhas de Cabo Verde = Luís de Cadamosto

1460 à Serra Leoa = Pedro de Sintra = D. Henrique morre

1471 à Costa do Marfim e Fernão Pó, São Tomé e Príncipe

1474 à Cabo de Sta. Catarina = Rui de Sequeira

1475 – 1482 à Paragem devido ao Equador

1482 à Foz do Rio Zaire – Diogo Cão= padrão de S. Jorge

1485 à Serra Parda = Diogo Cão

1487à Viagens de Pêro da Covilhã e Afonso Paiva

1487-88 à Bartolomeu Dias = Cabo da Boa Esperança

Surto da expansão Portuguesa

Condições humanas favoráveis:

            Sociais (a nova sociedade pós-1385)

            Geográficas (localização e tradição marítima dos portugueses)

            Técnicas (progressos na ciência e técnicas náuticas: embarcações, instrumentos, cartografia,…)

Motivações económicas:

            Carência de cereais, ouro, escravos, plantas tintureiras, especiarias, …

Motivações religiosas:

            Combater os muçulmanos

            Espalhar a Fé

Rumo Atlântico:

            Madeira

            Açores

Rumo Norte de África:

            Ceuta

            Outras praças marroquinas

Rumo Atlântico Sul:

            Exploração da costa ocidental africana

            India

            Brasil