“Valorização da cultura
O Mundo volta a si como se desperta-se de um grande sono.
Contudo ainda há quem resista (…) temem que, se as letras antigas renascerem e o mundo se
tornar culto, venha a demonstrar-se que nada sabiam. (…) Ignoram que a história da antiguidade é
rica em exemplos de verdadeira sabedoria.
Erasmo de Roterdão,
cartas, 1427”
“Lourenço de Médicis valorizou sempre os grandes génios,
particularmente os nobres dotados para as artes. (…) Àqueles demasiado pobres
(…) assegurava os meios de vida e vestuário e concedia grandes recompensas aos
que, entre eles, realizam osa melhores trabalhos.
G. Vasari, vidas,
1555-1568”
“Disse Deus ao homem: coloquei-te no centro do mundo,
para que possas olhar á tua volta, e ver o que o mundo contém. Não te fiz
celestial nem terreno, mortal nem imortal, puderas tu próprio escolher o teu
caminho. Pela tua vontade poderás tornar-te um bruto irracional ou podes
alcançar uma elevada perfeição, quase divina
Picco della
Mirandolla, A Dignidade do Homem, 1486”
“O homem ideal do renascimento
P1: Meu filho (…) quero que aprendas perfeitamente
línguas, primeiro o grego e depois o latim e o hebreu, para conhecimento das
Sagradas Escrituras, e ainda o caldeu e o árabe. Tens de formar um estilo, no
grego para imitar Platão, no latim para imitar Cícero. Deves conhecer história
universal, geometria, música e astronomia. Deves saber de cor os belos textos
de direito civil para os comparares com filosofia. (…) Deves estudar o novo
testamento e as epistolas, em grego, e o antigo testamento em hebreu
Rebelais, Carta
Gargântua a Pantagruel, 1532
P2: Que o cortesão seja, além de nobre, um homem de bem,
isto é, prudente, bom, corajoso, confiante, belo e elegante (…) que o prefeito
homem da corte seja alegre, saiba jogar, dançar, saltar e correr, que se mostre
homem de espirito e seja discreto. Deve conhecer não só o latim mas também o
grego (…). Deve saber escreverem e em prosa. Louvá-lo-ei também se souber
línguas estrangeiras, principalmente espanhol e francês, que estão muito
divulgadas em Itália. Precisa igualmente de saber musica, não só ler a
partitura, mas também tocar vários instrumentos.(…) Devera cultivar a arte do
desenho e da pintura.
Baltazar Castiglione,
O Cortesão, 1528”
“A valorização da experiencia
(Outros autores antigos) disseram as partes da equinocial
eram inabitáveis pela muito grande quentura do Sol. De onde parece que segundo
sua tensão aquela tórrida zona por esta causa se ano podia navegar, pois que a
fortaleza do sol impedia ai não haver habitação de gente. Ora, tudo isto é
falso (…) e como quer que a experiencia é madre das causas
Duarte Pacheco
Pereira, Esmeraldo de situ bitus, 1506”
“A teoria heliocêntrica
Após longas pesquisas, estou enfim convencido de que: o
sol é uma estrela fixa, cercada de planetas que giram á sua volta, e de que ele
é o centro, a fonte de luz e calor. (…) A terra é um planeta principal, sujeito
(…) a moimentos (…) de rotação (…) em volta do seu eixo, e de translação à
volta do sol.
Nicolau Copérnico, Os Movimentos dos Corpos Celestes, 1543”
“Acima de tudo, o reconhecimento de uma escultura
renascentista é feito procurando os motivos de fundo que ela se inspira. Esses
motivos são: um acentuado naturalismo, ou seja, uma constante procura de
verosimilhança; um forte interesse pelo homem, pela forma do seu corpo (…) e,
finalmente o recurso a esquemas compositivos – quer dizer, a formas globais –
geometricamente simples.
Flavio Conti, Como Reconhecer a Arte do Renascimento,
edições 70, Lisboa, 1991”
“Vemos os padres apresentarem-se vestidos de finíssimo
pano inglês, gorro na cabeça, dedos cheios de anéis preciosos, cavalgando
soberbamente, seguidos de numerosa criadagem, vestida de vivas cores. Constroem
magníficos palácios, regalam-se em faustosos banquetes (…) e gastam quantias
enormes em cavalos raros, cães e falcoes de caça.
J. Butzbach, meados
do seculo XV”
“As indulgências
“Logo que o dinheiro soe na caixa a alma é libertada do
fogo.” Prometia João Tetzel, o pregador de indulgências, em nome da Igreja.
Bastava uma esmola para libertar do fogo do Inferno não só a alma de quem dava,
mas também a de alguém já morto, as almas voariam de imediato para o Paraíso.
As pessoas que viviam com medo da morte e com o perigo da peste à sua volta
acreditavam realmente que, ao comprarem as indulgências, compravam também uma
vida após da morte em que o sofrimento estaria ausente (…). O negócio das indulgências
trazia, assim, grandes proveitos para a igreja e contra ele se insurgiram os
humanistas.
História da vida
quotidiana, Selecções Reader’s Diggest, 1993”
“As críticas de Lutero
Porque é que o papa, que tem hoje saco mais cheio do que
o dos mais ricos, ao menos não constrói a Basílica de S. Pedro com os seus
próprios rendimentos, em vez de o fazer com o dinheiro dos seus pobres fiéis?
As indulgências, cujo mérito é tao apregoado, só têm um: o de renderem
dinheiro. Serão eternamente condenados aqueles que ensinam e que pensam que as
indulgencias trazem a salvação. Todo o cristão verdadeiramente contrito tem
direito à remissão completa do castigo e do pecado, mesmo sem indulgências. E
necessário ensinar aos cristãos que aquele que dá aos pobres ou empresta aos
necessitados faz melhor do que comprar indulgências.
Lutero, 95 teses contra as indulgências, 1517”
“O acto de supremacia
O rei é o único chefe supremo da igreja de Inglaterra
(…). Nesta qualidade, o rei tem poder de examinar, reprimir, emendar tais
erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidades que devem ou podem ser
reformados legalmente pela autoridade espiritual, a fim de garantira paz, a
unidade e a tranquilidade do reino.
Do Acto de Supremacia, 1534”
“A expansão do Luteranismo
Lutero apelou a muitos grupos na Alemanha por diferentes
razões. Alguns concordavam sinceramente com ele e acreditavam que a sua
doutrina era a verdadeira versão do Cristianismo. Outros viram no
Protestantismo vantagens políticas e sociais. Porque Lutero e os seus
seguidores protestavam contra o Catolicismo.
Peter Stearns, Documents
in World History, Longman Publishers, 2002
“O Concílio de Trento
[O Santo Concilio] ordena que, nas coisas da fé e dos
costumes pertencentes á doutrina cristã, ninguém tenha a audácia de desviar a
Escritura do sentido que lhe deu a Santa Madre Igreja, a quem pertence
determinar o sentido verdadeiro e a interpretação das Sagradas Escrituras. (…)
O santo concilio exorta os bispos a que sejam irrepreensíveis, castos e bons
governantes das suas casas…; que cada um, à sua mesa, guarde sobriedade nas
carnes, fuja dos vícios e siga as virtudes
Conclusões
do Concilio de Trento (1563), em A. Theiner, Acta Genuína Concilii
Tridentini”
“Cada qual deve convencer-se de que aqueles que vivem na
obediência deverão deixar-se guiar pela vontade da Divina Providencia, por
intermédio dos seus superiores, como um cadáver que se deixa voltar e manejar
em todos os sentidos… aquele que obedece desta maneira deve cumprir com
contentamento de espirito tudo o que o superior lhe ordena, para bem de todos,
convencido de que deste modo corresponderá melhor à vontade de Deus do que
seguindo a sua própria vontade.
Das Constituições da Companhia de Jesus”
“A Inquisição
Pela inquisição procurar-se-á todos os que afastam da via
do Senhor e da Fé Católica, assim como os suspeitos de heresia, com os seus
discípulos e cúmplices… os culpados serão presos e perseguidos até á leitura da
sentença final. Os que forem reconhecidos como culpados serão punidos com
castigos canónicos. Os bens daquele que for condenado à morte serão vendidos. Os
inquisidores poderão recorrer ao poder político para executar as medidas
decretadas.
Paulo
III, Actos Pontifícios (Século XXVI),
em Lés Memoires de L’Éurope”
“A Perseguição aos judeus
Os judeus, mercadores de longa data e quase sempre
bem-sucedidos, eram os únicos a comercializar o Oriente muçulmano. O monopólio
que estabeleceram sobre certos produtos e a proibição de investirem os seus
lucros e bens imoveis puseram nas sus mãos uma liquidez importante, da qual
podiam dispor quando quisessem. Os poderes públicos decidiram tirar proveito
disso (…). Foram incentivados a praticar a usura, o empréstimo com juros, uma
actividade necessária e muito rentável, proibida aos cristãos. (…) Diante da
crise económica sem precedentes que conturbou a Europa (…) a tentação de se
livrar dos credores podia ser forte.
Anne Bernet, Judeus, em Historia Viva, Grandes Temas, 12, 2006